A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 09/10/2019
A alegoria da caverna do filósofo grego Platão, escrito no livro ‘‘A República’’, pode ser comparado com grupos de mídias sociais, como o ‘‘WhatsApp’’, nos quais ideias diferentes são silenciadas, ignoradas ou entendidas como falsas, sem investigação prévia. Assim como nessa alegoria, ‘‘sombras’’ da realidade são interpretadas como verdade universal, e há formação de núcleos de pensamentos homogêneos. Nesse cenário, a internet é um veículo que facilita a disseminação de informações, permitindo ampla divulgação de interpretações distópicas e falsas notícias. Então, a internet possibilita a divulgação de inúmeras informações e interfere na reflexão delas.
A priori, a internet é um importante disseminador de informações a todo momento, em qualquer lugar. Verifica-se isso porque é praticamente impossível projetar a realidade atual sem a influência dessa ferramenta comunicativa. Dessa forma, a internet está inserida em diversos setores sociais (jornalismo, economia, política, trabalho, saúde e segurança) e apresenta muitas facilidades, como o encurtamento de distâncias. Contudo, a internet pode ser um espaço de desinformação. Nesse contexto, o sociólogo Pierre Lévy discute que o ciberespaço seria um ‘‘mar de informações’’ ou ‘’novo dilúvio’’, em que há disseminação de fatos e notícias com alta velocidade e sem nenhum certificado de veracidade. Isso aconteceu, por exemplo, no caso do assassinato de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, em 2018, com a exposição de falsas evidências na rede social ‘‘Twitter’’.
A posteriori, a internet influencia na capacidade de reflexão do ser humano. Percebe-se isso porque essa enciclopédia virtual influencia no processo de aprendizagem e nas relações sociais. Nesse sentido, há superficialidade no entendimento de inúmeros assuntos, ou seja, não há aprofundamento nas causas e consequências de acontecimentos, devido o ‘‘bombardeio’’ de conteúdos por diversas mídias. Assim, esse comportamento pode ser relacionado com o que o filósofo Pico della Mirandola, humanista e neoplatônico, escreveu sobre a capacidade do homem saber que sabe. Então, Mirandola discute sobre as diversas funções sociais dos seres vivos, nas quais a do homem seria ser racional (pensar o mundo ao redor e questionar). Logo, quando o homem absorve informações prontas da internet, há uma negação de sua principal função social e uma abdicação de ser humano.
Portanto, para resolver tais problemas, escolas de ensino fundamental e médio, utilizando uma aula mensal de sociologia, podem debater sobre internet e mídias sociais, por meio de rodas de conversas, jogos e palestras, para que haja um maior entendimento sobre o que é a internet, seus benefícios e perigos, aumentando a capacidade reflexiva das crianças e jovens. Assim, o mito da caverna de Platão não será uma alegoria atual.