A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 29/02/2020

O rápido avanço tecnológico, proporcionado pela Terceira Revolução Industrial, foi responsável pela evolução dos meios de comunicação, que deu início com a invenção da escrita, nos tempos antigos, até alcançar seu ápice devido ao surgimento da internet. No entanto, no hodierno cenário mundial, esse meio, fruto de um avanço prematuro, não foi adequadamente absorvido pela população, o que resultou em  riscos à sociedade. Esses problemas, cuja causa relaciona-se, principalmente, ao despreparo civil e o crescimento do individualismo em resposta a tal tecnologia.

Primeiramente, é imperativo ressaltar que o acesso em tempo real de informações resulta na banalização por parte do indivíduo. Em tal contexto, o tempo para absorver o conteúdo não é suficiente, haja vista o acesso às centenas de informações diariamente. Diante disso, sites se beneficiam da rápida leitura, despercebida, do indivíduo para induzir uma percepção tendenciosa. Segundo uma pesquisa mundial, promovida pelo Centro para a Inovação em Governança Internacional, 86% dos internautas já acreditaram em ‘‘fake news’’, o que deixa claro, a falta de um preparo adequado ao utilizar a internet.

Outrossim, é fulcral pontuar que as novas tecnologias de comunicação são responsáveis pelo crescente individualismo do século. Para o Filósofo Zygmunt Bauman, no século XXI, as relações interpessoais estão cada vez mais frágeis, o que ele chama de ‘‘conexões’’, denunciando, então, o fato da rapidez de se fazer e desfazer uma amizade. Prova disso, são os aplicativos de redes sociais como Instagram e Facebook, ferramentas de conhecer e formar vínculos com pessoas mundo afora, porém já vêm com opções de bloquear e desfazer amizades para, assim, se adequar à nova geração de relacionamentos: as ‘‘conexões’’.

Em suma, faz preciso a Intervenção do Estado para que haja uma mudança nesse quadro. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, implementar, nas escolas, a disciplina de Educação Digital, através das grades curriculares do ensino básico. Espera-se, com isso, uma formação mais completa, já desde a infância, a fim de conter o despreparo civil diante de tal mundo cibernético. Ademais, é importante que o poder Legislativo, legisle leis que proíbam a criação de ‘‘fake news’’ na internet, com a finalidade de conter tal avanço. Feito isso, o conflito vivenciado, gradualmente, será extinto.