A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 01/03/2020

O rápido avanço tecnológico, proporcionado pela Terceira Revolução Industrial, foi responsável pela evolução dos meios de comunicação, que deu início com a invenção da escrita, nos tempos antigos, até alcançar seu ápice devido ao surgimento da internet. No entanto, no hodierno cenário mundial, esse meio, fruto de um avanço prematuro, não foi adequadamente absorvido pela população, o que resultou em riscos à sociedade. Esses problemas, cuja causa relaciona-se, principalmente, ao despreparo civil e o crescimento do individualismo em resposta a tal tecnologia.

Primeiramente, é imperativo ressaltar que o acesso em tempo real de informações resulta na banalização por parte do indivíduo. Em tal contexto, o tempo para absorver o conteúdo não é suficiente, haja vista o acesso às centenas de informações diariamente. Diante disso, sites se beneficiam da rápida leitura, despercebida, do indivíduo para induzir uma percepção parcial dos fatos ou até divulgação de notícias falsas. Segundo uma pesquisa mundial, promovida pelo Centro para a Inovação em Governança Internacional, 86% dos internautas já acreditaram em ‘‘fake news’’, o que deixa claro, a falta de um preparo adequado ao utilizar a internet.

Outrossim, é fulcral pontuar que as novas tecnologias de comunicação são responsáveis pelo crescente individualismo do século. Para o Filósofo Zygmunt Bauman, no século XXI, as relações interpessoais estão cada vez mais frágeis, o que ele chama de ‘‘conexões’’, denunciando, então, o fato da rapidez de se fazer e desfazer uma amizade. Prova disso, são os aplicativos de redes sociais como Instagram e Facebook, ferramentas de conhecer e formar vínculos com pessoas mundo afora, porém já vêm com opções de bloquear e desfazer amizades para, assim, se adequar à nova geração de relacionamentos as ‘‘conexões’’.

Em suma, para que esse avanço tecnológico traga mais resultados positivos em vez de problemas, é necessário que o estado intervenha para mudança desse quadro. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, implementar, nas escolas, a disciplina de Educação Digital, por meio das grades curriculares do ensino básico, visto que as crianças já têm o acesso à internet. Espera-se, com isso, uma formação mais completa, a fim de conter o despreparo civil diante de tal mundo cibernético. Ademais, é importante que o poder Legislativo elabore leis que proíbam a criação de ‘‘fake news’’ na internet, com a finalidade de conter tal avanço. Feito isso, o conflito vivenciado, gradualmente, será extinto.