A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 16/03/2020

A globalização e o rápido compartilhamento de informações por meio das mídias sociais, gerou um aumento no volume de informações e propiciou o compartilhamento de diferentes ideias e argumentos, demonstrando assim uma massificação das informações, entretanto, esses fenômenos não representam aumento do senso crítico reflexivo da sociedade e ainda estimula problemas como o analfabetismo funcional e disseminação de “fake news” Nesse sentido, é válido analisar como a internet agiu como facilitadora da informação, mas,dificultadora do pensamento reflexivo.

O analfabetismo funcional pode ser conceituado como a incapacidade de compreensão textual em informações simples, e é fato, que em meio a uma sociedade volátil esse fenômeno está em crescente aumento, ocasionando assim problemas de comunicação. Além disso, um fator que deve ser analisado é uma das causas diretas dessa disfunção, que por sua vez, pode ser atribuída ao excesso de informações, desinteresse pelo conteúdo, e o uso de textos cada vez mais simplistas e sintetizados, que ocasionam a redução na necessidade e no uso do poder crítico argumentativo.

No entanto, em meio a conjuntura atual também pode-se destacar as “fake news”, elas representam um compartilhamento em massa de informações inverídicas, em muitos casos são lançadas como verdades absolutas, sem a prévia análise do conteúdo. Essa atitude, é uma consequência da capacidade de analisar e questionar as informações disseminadas, demonstrando assim, que a sociedade possui um arsenal de informações, mas não sabe seleciona-las e interpreta-las. Ademais, segundo o sociólogo polônes Zygmunt Bauman, a modernidade pode ser caracterizada como uma modernidade líquida e volátil, onde preexiste a liquidez das relações afetivas e sociais. Essa liquidez, afeta diretamente as matrizes da comunicação e do entendimento, visto que, a sociedade está buscando o êfemero, se eximindo assim de buscar uma melhor compreensão do todo.

Diante do exposto, é visto que a capacidade reflexiva da sociedade não tem relação com a quantidade de informações disponíveis, e sim, pela qualidade e pelo tratamento que essas informações recebem ao chegar ao indivíduo, cabendo desse modo a realização de algumas ações que possam mudar esse cenário, visto que, segundo Wittgenstein, os limites de minha linguagem são os limites do meu mundo. As escolas cabe o papel de reforçar o estudo interpretativo e argumentativo, fomentando espaços de debate e estimulando ações que reforcem o senso crítico. A mídia, cabe o papel de promover o compartilhamento de informações verídicas, sucintas e reflexivas, combatendo assim a ocorrência dos dois fenômenos supracitados anteriormente. Com isso, o indivíduo poderá ser coadjuvante da informação, explorando o máximo que ela tem a oferecer.