A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 04/03/2020
A capacidade de questionar, pensar e discutir sempre foi o diferencial do ser humano, na Grécia Antiga, por exemplo, era o mecanismo primordial para viver na pólis e usufruir da democracia. Na atualidade, com o avanço exuberante das tecnologias de informação a raça humana tem deixado em segundo plano essa habilidade. Isso se deve, principalmente, a imensa quantidade de informação ofertada constantemente aos usuários, em segundo plano a construção do jornalismo nas redes sociais o que provoca inúmeras consequências, principalmente, na maneira como a sociedade moderna tem se estruturado, pois, a internet tem influenciado diretamente na construção cidadã do individuo.
Convêm ressaltar sob tal perspectiva que a internet não deve ser tratada como único agente da diminuição da capacidade reflexiva do homem. Ou seja, a conjuntura se deu por uma construção mais complexa que envolve também a economia atual, que vale-se da alienação, do trabalho e do consumo. Porém, a internet foi um fator determinante para a intensificação do processo, uma vez que, nos últimos anos houve uma grande transferência da informação para as redes sociais, com noticias cada vez mais curtas e com a construção do conhecimento mais amplo e raso. Dessa maneira o jornalismo deixa de ser investigativo e torna-se declaratório, isto é; a grande importância está na velocidade da publicação da notícia, pouco importando a fonte e a construção adequada da informação. Um exemplo disso pode ser observado com o “twitter” em poucos caracteres o usuário pode assumir juízo de valor sobre inúmeros assuntos. Tal situação, comprova a problemática atual e a necessidade de mudança.
Em consequência dessa realidade, a construção da cidadania fica prejudicada em razão da formação de uma sociedade alienada e pouco crítica aos acontecimentos e ao contexto que está inserido. Dessa maneira, o individuo torna-se mais vulnerável para contestar seus direitos e liberdades. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do sociólogo Zygmunt Bauman forma a modernidade líquida, baseada na instantaneidade, volatilidade dos ideais e falta de criticidade de um povo. Sendo assim, para formação de um cidadão que tenha consciência do seu papel na sociedade é necessária que ocorra mudanças no pensamento do país.
Portanto, para atingir as alterações necessárias é preciso que haja um trabalho de resgate da capacidade de reflexão, com exercício da educação. Logo, é papel do Ministério da Educação promover programas da educação pública, como, incluir seminários semestrais nas grades curriculares das escolas, que incentive, principalmente, a leitura, o debate, e a pesquisa plural de informação, pois tais itens são, grandes aliados da reflexão humana. Com tais implementações o problema poderá ser uma mazela passada na sociedade brasileira.