A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 08/03/2020
Há séculos, foi registrado por Platão que umas das frases ditas por Sócrates teria sido " A vida irrefletida, não vale a pena ser vívida"; contudo, é a irreflexão que está se tornando cada vez mais comum. Ademais, em uma sociedade em que tudo é tão líquido e o tempo é pontilhista, o aumento de informação não esta gerando conhecimento, e criando uma ameça de um perigoso ciclo. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores contribuintes com à situação.
Em primeiro lugar, refletir se torna uma tarefa cada vez mais impossível em uma sociedade em que tudo é para ontem. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em seus estudos sobre a modernidade líquida, o tempo está se tornando ainda mais pontilhista, isto é, cada momento é único por si só e não se conecta a nenhum outro, produzindo uma série de informações que tenta se transformar em conhecimento, mas termina sendo uma tentativa de costurar uma roupa sem linha. Dessa forma, se torna especialmente importante entender que produzir informações, não é aprender ou refletir.
É indubitável afirmar que todos os dias milhares de pessoas usam a internet e nela deixam dados que facilitam pesquisas e a conectar-se com outras pessoas. Porém todos esses dados recolhidos podem se tornar algo bem perigoso, como visto no documentário “Privacidade Hackeada”, os dados são a moeda atual, capazes de influenciar eleições inteiras, funcionando quando o usuário demonstra interesse em algum determinado lado ou tipo de assunto, os softwares então tentam enviar sugestões desses mesmos temas; e assim como dito na teoria do discurso do filósofo alemão Habermas, o conhecimento só era gerado a partir de um debate de dois lados. Sendo assim, ao usar a internet uma pessoa vai ser bombardeada de informações sobre os mesmos temas, fechando as pessoas em seus mundos virtuais particulares.
Em virtude dos fatos mencionados, a internet dá ao usuário séries de informações pontilhistas, e o que era para saciar uma dúvida pode o afogar sem que esse perceba. Portanto, faz-se mister que o Ministério da Educação junto com profissionais de informática, promover palestras em escolas de todo o Brasil, explicando, para pais e alunos, sobre a importância e os perigos do mundo virtual, ensinando como se pode usar essa ferramenta da melhor forma possível, em prol de cidadãos mais consciente e reflexivos na internet. Dessa maneira, a sociedade deixará a ideia de que “Não sei que nada sei”.