A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 14/03/2020

Na obra “O segredo de Augusta” de 1868, Machado de Assis, escritor realista brasileiro, põe em análise o caráter humano. No conto, o autor critica o corpo social marcado pela valorização de títulos e a negligência dos papéis materno e paterno em detrimento de futilidades. Similarmente, no contexto hodierno, os problemas percebidos pelo cronista, persistem, uma vez que pais distanciam dos seus filhos em busca da materialidade, fazendo com que estes usem de maneira inadequada a internet. Essa problemática está intrinsecamente ligada à quebra dos princípios normativos e às mudanças do mundo pós-moderno. O desrespeito ao artigo 932 do Código Civil, que assegura que pais têm dever de moderação sob a vida dos filhos, sinaliza como um impasse para a superação do uso imoderado da internet. Sob essa perspectiva, em “O Futuro da Democracia”, Norberto Bobbio, filósofo e intelectual italiano, analisa os contrastes entre democracia real e ideal. Para ele, embora, o tecido social, em teoria, diste de mecanismos legais positivos, esses não são efetivados na prática. Visto que na democracia real há a fragmentação das leis, circunstância que fomenta o uso desmedido da internet por jovens e adolescentes. De fato, é notório que a indiligência dos pais para com os filhos, devido aos inúmeros afazeres que o sistema de mercado impõe, faz com que estes afastem e os negligenciem, deixando à mercê dos impactos negativos do uso exacerbado das tecnologias, como: ansiedade, baixa autoestima, solidão e queda no rendimento escolar. Além disso, faz-se mister, ainda, salientar as mudanças do mundo pós-moderno como impulsionador do problema. Sobre esse aspecto, no livro “Por uma outra globalização”, Milton Santos, explora as vantagens e desvantagens da interação com o mundo globalizado. Diante desse ponto de vista, é factível que a internet e os meios tecnológicos propiciaram no mundo novas formas de comunicação e interação social. No entanto, o uso descomedido dessa ferramenta trouxe problemas para a sociedade, em especial, para jovens e adolescentes. De acordo com um levantamento da Universidade Federal do Espírito Santo, com mais de 2000 adolescente, evidenciou-se que 23,5% são viciados na Internet, além de apresentarem comportamento agressivo e atitudes antissociais, esse dado se mostra alarmante e comprova que a internet é usada incorretamente, uma vez que é uma ferramenta neutra. Logo, medidas devem ser tomadas para amenizar o infortúnio, a saber o Governo Federal, por ser a instância máxima do poder administrativo, em parceria com o Ministério do Planejamento, deve, fortalecer, por meio de verbas públicas, o programa “Reconecte” que tem como objetivo instruir pais e filhos sobre o uso adequado da internet, para que estes utilizem esse instrumento neutro de maneira coerente. Ademais, o Ministério da Saúde, junto a alunos dos cursos de Psicologia e Ciências Sociais de universidades públicas, deve, promover mutirões em escolas do ensino fundamental e médio, com o intuito de identificar jovens com problemas relacionados ao vício em tecnologias a fim de encaminha-los para o tratamento adequado.