A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 12/03/2020

O ser em evidência na obra “A mulher que chora”,do artista espanhol Pablo Picasso,parece estar em extrema angústia ante sua realidade.Esse cenário serve como uma metáfora dos choros desesperados de uma sociedade que enfrenta a restrição da capacidade de reflexão,mesmo com a facilitação da informação.A gênese desse processo advém,de forma incontestável,da revolução técnico-científico informacional que norteia o Brasil e o mundo.Por esse ângulo é apropriado considerar que a agilidade digital,associada à alienação tecnológica,consolida essa conjuntura.

Em primeira instância,vale ressaltar que a rapidez digital,aliada a terceira revolução industrial,fomenta a falta de tempo para refletir em meio a grande quantidade de informação.Isso ocorre porque o cotidiano-com a tecnologia como suporte,no trabalho,estudos e descontrações-deixa a sociedade sem tempo para se dedicar a reflexão de suas atitudes e de seus ideais.Em consequência disso,nota-se o controle do tempo dos acontecimentos diários,do indivíduo,sendo transferido para a tecnologia.Exemplo inconteste desse panorama é a" Hipermodernidade" de Lipovetsky,uma vez que retrata a falta de tempo constante vivenciada pela população na era informacional,por tentar acompanhar o “ritmo” digital que atualiza as pessoas no contesto global,mas desvincula-se do presente e foca apenas no futuro.

Além disso,tem-se que a alienação digital,somada a revolução técnico-científico informacional ,solidifica a restrição da capacidade de reflexão em meio a facilitação  da  informação.Isso acontece,devido a internet proporcionar quase todo conteúdo de pesquisa sem precisar do esforço individual para alcançar as informações.Entretanto,esses programas,em equilíbrio,são importantes para o desenvolvimento científico da sociedade.Ilustra claramente essa situação o “Google”,programa de serviços estadunidense,que funciona como um local de buscas para esclarecer as dúvidas das pessoas.Assim,observa-se a transferência da autonomia do pensamento para a inteligência artificial.

Percebe-se,portanto,o impasse da restrição da reflexão na era digital.Todavia,é possível amenizar essa problemática.Para que essa erradicação aconteça é necessário que a Mídia,por meio de narrativas engajadas-a exemplo de novelas,filmes e séries-deve promover discussões a respeito da falta de tempo por causa da agilidade informacional,com a finalidade de acabar com a falta de reflexão pessoal na sociedade.Soma-se a isso,o Poder Executivo,na figura do Ministério da Educação,deve realizar campanhas e projetos nas escolas de todo o país sobre a alienação tecnológica,por intermédio de atividades lúdicas e educadoras-as quais envolverão toda a comunidade em geral-com o fito de evitar a falta de autonomia de pensamento social.Somente assim,a obra do artista Pablo Picasso não será mais uma metáfora do choro da sociedade frente ao problema atual.