A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 09/03/2020

A série televisiva Black Mirror retrata a influência da tecnologia no cotidiano de uma sociedade futura. Em um de seus episódios, é apresentado um chip que é implantado no cérebro das pessoas, capaz de gravar todas as informações e armazená-las. Não distante da ficção, hodiernamente, a internet possibilitou um imenso acesso à informação que, por vezes, restringe a capacidade de reflexão do indivíduo. Nesse sentido, as pessoas estão submersas em um meio de comunicação infindável e circulante, fato que agrega para a formação de opiniões vazias e generalistas acerca da sociedade.

Em primeiro lugar, vale destacar que, em função das novas tecnologias, internautas são cada vez mais expostos a uma gama gigantesca de dados e conteúdo, consequência da acelerada difusão de informações por parte dos veículos midiáticos. De acordo com o sociólogo e filósofo polonês, Zygmunt Bauman, vive-se atualmente um período de fluidez informacional, já que o mundo digitalizado não só possibilitou novas formas de interação com o conhecimento, mas também abriu portas para a formação de indivíduos cheios de conteúdo e pouco reflexivos. Desse modo, as pessoas são inconscientemente formadas para saber a respeito de tudo, no entanto, carentes da construção de um pensamento crítico sobre a realidade.

Por conseguinte, presencia-se um forte poder de influência das redes sociais, visto que o internauta é bombardeado e levado a consumir passivamente uma série de conteúdos que pouco lhes agregarão.  Consoante à Teoria do Habitus elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Paralelamente, esse é o objetivo da indústria cultural segundo os pensadores da Escola de Frankfurt: produzir informações chamativas, para levá-lo ao consumo, torná-lo homogêneo e, logo, facilmente atingível.

É mister, portanto, que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito desse problema, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de recursos governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais e demais meios de informação, a fim de demonstrar a importância da seleção no consumo de informações veiculadas na internet. Cabe ao Estado, também, criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas, o qual promova palestras, atividades lúdicas e apresentações a respeito da importância da reflexão ativa sobre as informações que percorrem na sociedade. Somente assim, será possível combater a passividade dos muitos que utilizam a internet no país e, ademais, promover o poder transformador da reflexão.