A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 03/03/2020
A reação de filósofos iluministas como Diderot e d’Alambert, os criadores da enciclopédia, ao serem apresentados a Wikipédia seria um choque que nem a ficção científica se ao trabalho de tentar ilustrar, e isso se deve ao massante bombardeamento de informações que a geração do século XXI produz, tornando-se inegável a necessidade do indivíduo saber classificar aquilo que agrega, é desnecessário ou desinforma.
De acordo com o escritor Jeff Davidson em Breathing Space, na década de 90 já havia produção informacional suficiente num período de 24 horas para ocupar uma pessoa por uma vida; hoje, isso é produzido no intervalo de um segundo, e é selecionando fontes confiáveis que se constrói um conhecimento de mundo.
O conhecimento e a capacidade reflexiva advém de uma memória de longo prazo que, ao contrário de sua análoga, deve ser trabalhada com foco e autocontrole para que se possa absorver e solidificar em forma de discernimento a ser revisitado quando necessário. Contudo, a constante fuga da mente do relevante em prol da informação efêmera nos priva da capacidade reflexiva e criativa cada vez mais.
Portanto, fica evidente que é papel do indivíduo ter bom senso crítico para avaliar e selecionar a informação desse contingente e para isso a formulação de uma disciplina escolar que vise aplicar os conhecimentos das demais disciplinas no cotidiano, explicar conceitos políticos de forma apartidária e desenvolver a capacidade lógica do aluno teria impactos imensos na formação de cada cidadão pensante e questionante.