A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 03/03/2020

A Revolução Industrial do século XVIII foi a grande responsável por alterar, não apenas a matriz energética da época, mas também os hábitos da sociedade. O livro “A Quarta Revolução Industrial”, publicado em 2016, evidencia como estamos no momento da Revolução Tecnológica, e, sendo a internet uma das protagonistas, não é estranho o despertar de opiniões diversas sobre o seu impacto no dia a dia. Um, de muitos argumentos contrários a sua existência, é o de que seja de sua autoria o fim da capacidade de reflexão do ser humano.

De fato, a eficiência desse sistema em conectar pessoas, difundir informação e conhecimento em questão de segundos resultou em um feito inédito: a produção e o acúmulo de informações, acerca dos mais variados temas, nunca foi tão grande e de fácil acesso. Essa democratização do acesso ao conhecimento acabou por gerar um comportamento contrário a lógica do aprendizado, fazendo com que essas duas coisas não fossem necessariamente associadas.

Sob esse viés, foi mostrado pela revista Galileu, que não são raros os cidadãos que apenas leem a manchete de uma notícia, o primeiro parágrafo de um artigo ou poucas páginas de um livro e se contentam em reproduzir para terceiros esse pequeno conteúdo, sem se dedicar muito a compreende-lo e em se aprofundar no que foi proposto. Com esse novo hábito, torna-se incapaz de refletir e debater o que acabou de ser dito, pois, para o filósofo Sócrates, o reconhecimento da própria ignorância é o primeiro passo na busca da verdade, sendo a reflexão o principal alicerce desse pensamento.

Ressalta-se que, as mudanças acarretadas pela internet devem sim ser alvos de estudos e debates, porém, esses momentos devem salientar o fato de que a web é um reflexo da sociedade, e não o contrário.

É evidente, portanto, a necessidade de uma mudança de hábitos da população, partindo do princípio de que ninguém possui conhecimento o suficiente em todas as áreas, pois isso não se faz necessário. Cabe as escolas o ensino de que um aprendizado pequeno, porém verdadeiro, possui um valor maior a agregar no dia a dia, e, para que isso ocorra, cabe ao Ministério da Educação a inclusão na carga horária escolar de aulas que abordem a temática de debates, onde os alunos aprenderão como compreender, assimilar e refletir sobre diversos assuntos, além de argumentar à favor ou contra. Deve ser incluído também aulas sobre o mundo virtual e como usar esta tecnologia à seu favor, seja para estudos ou trabalhos. E, para que tudo isso seja possível, é essencial que o ministério promova a capacitação de profissionais adequados a ministrarem essas novas matérias. Com essas simples ações é possível que ocorra uma mudança que resulte em um impacto positivo para todos.