A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 06/03/2020
Com o advento da Revolução Técnico-científico-informacional na década de 1980, os meios de comunicação ampliaram significativamente a possibilitaram maior integração entre as pessoas. No entanto, embora a internet tenha facilitado a informação, a capacidade de reflexão dos usuários não acompanhou essa evolução, haja vista o fato de encontrar o conteúdo pronto conforme os ideais de que o escreve e não se dar o trabalho de verificar criticamente tal postagem, além de que o atual sistema educacional não propõe ao educando o questionamento sobre a realidade que o cerca, principalmente o que está exposto na rede mundial de computadores. Com isso, convém analisar as causas e consequências dessa problemática.
Em uma primeira análise, com as redes sociais, as pessoas adquiriram mais liberdade para escreverem o que pensam e podem ser vistas. Por conseguinte, indivíduos que não detém criticidade suficiente para analisar racionalmente a postagem passam a acreditar que no leem como uma verdade absoluta, o que vai de encontro à teoria da Tábula-Rasa do filósofo inglês do século XVII, John Locke, em que, segundo ele, as experiências do cotidiano moldam o caráter de um ser, tendo em vista que ele nasce como uma folha em branco. Como resultado, está expandindo uma geração que passa a compartilhar notícias inverídicas na “web”, contribuindo para a promoção de conflitos na contemporaneidade. Por isso, é inaceitável que o governo se mostre inerte frente a esse desafio, porque isso pode prejudicar o desenvolvimento efetivo do país.
Em um segundo plano, as escolas brasileiras carecem de investimentos do poder público para capacitação de profissionais que possam instruir os alunos quanto à averiguação de uma publicação. Consoante com o filósofo prussiano, Immanuel Kant, expoente das ciências humanas, “o homem é o que a educação faz dele”. Com efeito, se ela não é capaz de auxiliar os cidadãos a se posicionarem frente à opinião alheia, tampouco irá contribuir para o crescimento social do país. Dessa forma, é imperioso que os órgãos responsáveis pelo ensino brasileiro tomem providências para minimizar os impactos negativos desse cenário para a nação.
Ademais, infere-se que, mesmo promovendo a comunicação mais efetiva e otimizando a divulgação das informações no menor espaço de tempo, a internet mostra-se como impasse a ser resolvido. Portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, promover fomentos para que as escolas ofereçam desde os anos iniciais aulas de comportamento no meio digital, por intermédio de cursos preparatórios para professores, a fim de introduzir no sujeito a capacidade de ponderação ao que é exposto a ele na rede.