A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 16/03/2020
O Excesso Contra o Acesso ao Conhecimento
No final da década de oitenta, muito antes do advento da internet para o público em geral, Isaac Asimov, um dos mais importantes escritores de ficção científica da literatura, em entrevista, prenunciou com otimismo a transformação que os computadores pessoais causariam no campo educacional. No contexto atual, a fala de Asimov se concretizou, e a facilidade quanto ao acesso à informação tornou-se, mais do que nunca, realidade para grande parte das pessoas. No entanto, será que tais informações em excesso estariam restringindo o alcance ao verdadeiro conhecimento?
Conhecimento e informação são conceitos distintos. Informa-se acerca de algo, não lhe confere compreensão do mesmo. Enquanto a primeira relaciona-se com o ato de memorização, tal como um banco de dados, a última consiste numa atividade intelectual, baseada num processo de questionamentos, pesquisas e experiência. Em outras palavras, conhecimento é dado quando a informação é aplicada.
Pode-se observar que, não é somente as notícias que são veiculadas de maneira extremamente rápida. Cada vez mais, nota-se na sociedade um comportamento de caráter imediatista. A ânsia por adquirir cada vez mais informação e a total exposição a elas a todo momento, configura uma coletividade que acumula em demasia tais pensamentos, mas pouco os desenvolve. Tal exemplo é o surto de notícias falsas, as chamadas “fake news”, que são compartilhadas por milhares de pessoas, que se fascinam pelas letras grandes das manchetes, mas ignoram o ato de refletir e investigar sobre.
Convém lembrar que, o sistema de educação possui uma tradição de ensino por meio da memorização, assim como o processo de seleção de novos estudantes pelas universidades. Tem-se na maioria das escolas um sistema baseado em notas, que prioriza uma avaliação escrita, onde perguntas já muito disseminadas são feitas e respostas decoradas são dadas. Tal característica influencia ao desestímulo à produção criativa e à prática da reflexão crítica, que é levado da escola para a vida.
Em virtude das informações mencionadas, atitudes devem ser tomadas. O Ministério da educação deve inserir no currículo escolar atividades que incentivem os alunos a desenvolverem pensamento crítico, além da criatividade, tal como debates acerca de um tema e feiras de ciência e/ou exposição de trabalhos artísticos feito por alunos. Aulas como filosofia, sociologia e arte devem possuir uma carga horária semanal maior do que é atualmente: cinquenta minutos semanais, na maioria das escolas públicas. Por fim, as notas de peso maior nas escolas não devem ser medidas pelas provas escritas, e sim pelos trabalhos desenvolvidos, sendo eles motivados pelas pesquisas.