A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 16/03/2020
O livro “Por Uma Outra Globalização” do geografo brasileiro Milton Santos, argumenta sobre a existência do mundo da fábula (percepção), no qual a maquina ideológica faz crer que a difusão instantânea de notícias realmente informa as pessoas. Aplicando isto ao mundo cibernético atual, comprova-se que o crescente fluxo de informações disponível na internet criou pessoas acríticas, as quais propagam inverdades e até se viciam nessa tecnologia, sendo os adolescentes mais afetados. Logo, duas questões precisam ser discutidas: o consumo desenfreado de informações e quais são suas consequências nos jovens
Em primeiro lugar, é valido ressaltar que os pais tem um papel fundamental na hora de orientar seus filhos quanto ao uso da internet, porém sem impedir o acesso a esse recurso. Como observado no episódio “Arkangel” da série Black Mirror, uma mãe preocupada com a segurança da sua filha, submete esta a um dispositivo (implantado no cérebro) que a monitora durante todo dia. Posteriormente, é visto que a superproteção afeta gravemente o comportamento da criança, tornando a imatura e sem discernimento de limite. Esse cenário exemplifica o porquê proibir o acesso a internet não é o caminho, uma vez que mesmo impedindo o bombardeamento de informações e, por conseguinte, o vício, o jovem acabará não se encaixando na sociedade: ou pela falta de maturidade (ter experiencias pela primeira vez com 20 quando devia ter com 15, por exemplo) ou por não saber quais são os assuntos do momento. Sendo assim, conscientizar desde a infância sobre a utilização da internet é o melhor meio.
Além disso, vale salientar que assim como a proibição, a total liberdade de uso também causa problemas. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), aproximadamente 25% de 2 mil adolescentes são dependentes moderados ou graves da internet. Como consequência da problemática, jovens se encontram mais suscetíveis a desenvolverem comportamentos agressivos, atitudes antissociais e ansiedade. Um dos principais transtornos causados pelo vício é o FoMO (sigla em inglês para “medo de estar perdendo algo”) que causa depressão, má qualidade do sono, insatisfação com o próprio corpo e ainda prejudica o aspecto social.
Com a falta de educação sobre a utilização saudável da internet, consequentemente o número de adolescentes viciados nesse meio continua a crescer, portanto faz-se necessário medidas que conscientizem-os e também apoiem os pais durante essa jornada. Portanto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos através do Programa Reconecte, o qual visa elucidar a população em geral a respeito do uso de recursos tecnológicos de maneira inteligente, deve realizar mais ações como o Detox Digital (autoexplicativo) e incluir ajuda psicológica para lidar com os casos mais graves.