A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 06/03/2020
O pensamento lógico no Ocidente, inicialmente proposto por pensadores das antigas Pólis Gregas, buscava contrariar as explicações dogmáticas e místicas para os eventos da natureza. Nesse sentido, a fartura de informações da era da internet atua como esse explicativo, muitas vezes tratado como verdade absoluta, reduzindo, por isso, considerável parte do potencial crítico dos seus usuários.
Há não muitas décadas o processo científico escolar e universitário se dava pela pesquisa profunda dos temas em livros e revistas. Na atualidade, essa informação é obtida de modo fácil, rápido e muitas vezes superficial na internet. A partir disso, o aprendizado se tornou mais mecânico e até evitável e as práticas pedagógicas mais suscetíveis a falhas e fragmentações, já que a Leitura e a seleção de informações desempenham papéis importantes na memorização e formação do conhecimento sobre um tema ou matéria.
Essa defasagem didática se complementa com um dos problemas já enfrentados pelo sistema de ensino, especialmente o brasileiro: a compartimentação da educação em disciplinas. Esse programa mais seccionado não permite, na maior parte do tempo, uma aula completa, com a mistura do conhecimento das diversas áreas no envolvimento do aluno.
Sabendo disso, o professor Pedro Luiz Côrtes, da ECA-USP, comenta sobre a importância do que ele chama de Literacia, como a capacidade de se entender sobre um tema, e de que ela seria inferida a partir de um ensino interdisciplinar e conectado ao cotidiano. A falta de Literacia gera um isolamento do conhecimento aprendido na escola e as vivências do mundo real, complementado, ainda, pela difusão pouco aprofundada das informações no âmbito da Internet.
Tal profundidade informacional deve ser trabalhada e instigada. Platão e Aristóteles vão comentar, em suas obras, sobre a importância desse aprofundamento, ou busca, através da razão e do questionamento, e que, em termos, a felicidade está intimamente ligada à aquisição do conhecimento e esta, por sua vez, seria obtida através da Dialética, ou seja, o diálogo. Diálogo, ou troca de pensamentos, que, em geral, é pouco ou incorretamente proporcionado pela internet e a virtualidade das relações sociais para um contexto didático.
Por isso as instituições de Ensino devem restringir as fontes dos trabalhos escolares e universitários, obrigando algumas bibliografias literárias para maior complexidade das pesquisas, além de que o Ministério da Educação deve implementar, também, medidas interdisciplinares e conectadas a vida cotidiana dos alunos, para gerar mais conhecimento de mundo e senso crítico, aliado ao estímulo ao diálogo didático através da integração da escola e da Internet.
na formação, facilmente praticável com a Internet, mas pouco aplicado pelos usuários.