A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 06/03/2020

A Revolução Técnico-Científico-Informacional, ocorrida no século 20, proporcionou diversos avanços, sobretudo no setor tecnológico e da internet. Entretanto, tal desenvolvimento, mesmo que tenha contribuído para a facilitação da informação, por muitas vezes pode se tornar um fator negativo que restringe a capacidade de reflexão. Assim, cabe analisar as causas do impasse, que persiste seja pelo uso inadequado das redes, seja pela falta de orientação.

A priori, é essencial enfatizar o papel da família no direcionamento do uso da internet. De acordo com o filósofo contratualista John Locke, cada indivíduo, ao nascer, é como uma folha em branco, tendo sua formação crítica e social baseadas a partir das experiências vivenciadas. Dessa forma, as ações dos pais podem refletir de forma direta no comportamento das crianças e adolescentes, principais usuários das redes na atualidade, exigindo, dessa maneira, uma conduta mais direcionada dos responsáveis sobre o controle do uso excessivo da internet, visto que esse meio tem se tornado cada vez mais atrativo. Assim, a partir do diálogo e do exemplo persistente, o uso se tornará adequado.

Outrossim, é necessário ainda ressaltar a importância da orientação por parte dos agentes educacionais. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele.” Nesse sentido, a ameaça à capacidade de reflexão por parte da internet, pode ser contornada a partir das ações nas escolas e faculdades, grande formadores do pensamento crítico, prática que, na atualidade não tem sido realizada, tornando-se um obstáculo. Dessa forma, ações que estimulem os estudantes a usarem os meios tecnológicos de forma pertinente para sua base de formação poderiam contribuir de forma efetiva para redução do impasse.

São necessárias, portanto, medidas capazes de mitigar essa problemática. O Ministério da Educação (MEC), em parceria às escolas e à família, deve promover campanhas e ações reflexivas, como: palestras, pesquisas, oficinas e salas temáticas acerca do uso da internet, de forma a estimular os estudantes e demais funcionários e pais a um pensamento racional quanto a utilização adequada das redes. Ademais, os professores devem ampliar o supervisionamento dos trabalhos escolares, de forma a evitar plágio e a utilização apenas de informações prontas sem um estudo efetivo. Dessa maneira, forma-se-á cidadãos críticos e reflexivos quanto a realidade, utilizando de maneira propícia os avanços tecnológicos advindos da Revolução Técnico-Científico.