A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 13/03/2020
A sociedade grega, berço da civilização ocidental, presenciou durante a Idade Antiga o surgimento da filosofia, inicialmente, pautada pela busca da sabedoria acerca dos fatos da natureza e do homem, sendo a reflexão o ponto fulcral desse método. Entretanto, com o avançar da tecnologia e da internet, as informações passaram a ser difundidas em grande número e rapidez pelos meios de comunicação, sobrecarregando o leitor e tornando a reflexão menos necessária. Desse modo, torna-se nevrálgico o reconhecimento dos principais impactos dessa problemática, com foco na alta difusão de informações pelos usuários e pela ausência de uma educação pública de qualidade no país.
Em primeiro plano, é perceptível que a difusão de informações pelos usuários, em sua maioria eivadas de opiniões, influencia no senso crítico do leitor ao expor situações sob uma única ótica. Segundo Francis Bacon, filósofo inglês, as ações humanas são influenciadas pelos demais indivíduos da sociedade, sendo o comportamento algo contagioso. Nesse contexto, a internet propicia uma ampla divulgação de conteúdo sem filtros de qualidade ou veridicidade, disseminando opiniões ideológicas e/ou criticas, fazendo com que o indivíduo passe a interpretar aquilo com verdade absoluta, ausentando-se da reflexão necessária para a total compreensão da situação . Logo, é basilar uma análise sobre as causas da tese para mitigar os possíveis efeitos que podem ser causados.
Outrossim, cabe salientar que a educação pública deve fornecer condições para que os alunos desenvolvam o pensamento crítico e reflexivo. Consoante dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o IDH (índice de desenvolvimento humano), que é usado como parâmetro para analisar aspectos educacionais, sociais e econômicos, o Brasil não está entre os 50 primeiros colocados no mundo. Com base nos dados, fica evidente que o país apresenta graves problemas sociais e educacionais, que certamente impendem a total compreensão e a necessária reflexão na abordagem de determinadas questões. Destarte, a educação fornecida pelo Estado é intrinsecamente ligada à questão abordada.
Conclui-se, em síntese, que a capacidade de reflexão possui um sólido liame com a educação e as informações disponíveis na rede. Diante disso, é fundamental que o Poder Público, por intermédio do Ministério da Educação, desenvolva ações de cunho educacional e de conscientização da população, por meio de palestras, debates, ações publicitárias e incentivo à leitura nas salas de aula das escolas, nas mídias sociais e na sociedade civil em geral. Com isso, expecta-se a capilarização das ações e a efetivação da ampliação do sendo crítico e da capacidade reflexiva. A fim de que, essa problemática de cunho social e educacional, seja cada vez menos recorrente na sociedade brasileira.