A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 16/03/2020
Steve Jobs - empresário e fundador da Apple - defendia que todos os indivíduos ao redor do mundo deveriam dominar os recursos tecnológicos. Entretanto, na contemporaneidade, a lógica de Jobs se inverteu: a tecnologia é que domina o indivíduo, o que se mostra um grave problema social. Com efeito, a construção de uma sociedade que valoriza a saúde e o bem-estar pressupõe ação conjunta entre indivíduos e poder público para achar uma melhor maneira da utilização da internet e consequentemente uma melhor reflexão.
Em primeiro plano, o vício na internet afeta as relações pessoais. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirmava que as amizades na modernidade eram sólidas e, na pós-modernidade, passaram a ser líquidas- palavra que dá o nome à sua obra “Modernidade Líquida”. Nesse sentido, o tecnovício potencializa a fragilidade das relações das pessoas, na medida em que os viciados em internet tendem a experimentar apenas o contado superficial, cujo fenômeno foi denominado como conexão, por Bauman. Todavia,é contraditório que os avanços tecnológicos, criados para uma melhor informação, tendam a fragilizar sua reflexões.
De outra parte, o uso excessivo das redes sociais também limita a visão de mundo dos usuários. Segundo a filosofa Hannah Arendt, o convívio com a diversidade deveria ser algo natural, uma vez que ela é inerente à condição humana. No entanto, as redes sociais geram verdadeiras “bolhas” onde cada indivíduo convive apenas com pessoas e opiniões que são compatíveis com seus interesses. Dessa forma, o debate de ideias acaba sendo substituído pela intolerância e desrespeito a ideologias dissonantes.
Impende, pois, que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigas os problemas advindos do uso inadequado da internet. Nesse sentido, os indivíduos podem valorizar as relações pessoais, por meio da redução de eletrônicos em seu dia a dia, para que haja uma melhor reflexão de seus atos. Por sua vez, as escolas devem orientar os alunos acerca dos riscos do uso excessivo das redes sociais, por intermédio de palestras com profissionais capacitados, a fim de que os efeitos do tecnovício sejam reduzidos, de modo que haja, no Brasil, o uso da internet saudável.