A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 16/03/2020

Vivemos a era da informação, mas jamais fomos tão rasos e superficiais em toda a nossa história de avanços tecnológicos e conhecimentos. Para compreender melhor, precisamos nos atentar que a tecnologia e a informação mudaram mais do que simplesmente o acesso a elas, mas mudou a nossa forma de pensar, agir e interagir nos grupos e cultura.

Um dos principais aspectos que nos diferencia de outros animais é a capacidade de comunicação e a habilidade de modificar objetos ao modo e desejo que tivermos. A tecnologia, é o nome atual que damos para as adaptações que fazemos. Com a internet, a maneira que nos comunicamos, produzimos e consumimos informação mudou. Os primeiros estudos sobre os efeitos de comunicação que se tem notícia é o modelo americano chamado funcionalista, em que matemáticos identificaram em seus estudos uma das consequências do consumo dessa comunicação direta e intensa, nomearam de disfunção narcotizante. Quando Lazarsfeld e Merton disseram isso, se tornaram profetas para os dias de hoje, dizendo que o excesso de informações nos torna disfuncionais; sem habilidade de opinar ou criar, passaríamos então a meros ouvintes vazios e incapazes de reagir física ou emocionalmente. Complemento dessa linha de pensamento é a teoria de Stuart Hall, chamada Industria Cultural que segue dizendo que com a forma que consumimos informação (enquanto cultura) a informação não precisa ser processada, nem produzida, está posta. Assim perdemos a habilidade de criar e pensar a partir das próprias experiencias e conhecimentos que aprofundamos no decorrer da vida.

Tantas informações prontas, rápidas e com tantas luzes, narcotizam nosso cérebro à hiperatividades e dificuldade de concentração e reflexões. É necessário, então, reeducar para a socialização, adequar nossas mentes. É preciso ter uma educação a partir das bases educacionais a respeito desses riscos e incentivar atividades de interação humana e funcional do cérebro, antes que percamos a capacidade de humanizar e avançar, em função do mais novo narcótico: a internet.