A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 14/03/2020

No transcorrer do século XX, assistiu-se a Guerra Fria - Conflito ideológico entre os EUA e a URSS - que, por sua vez, possibilitou grandes avanços no campo da ciência e tecnologia, como, por exemplo, o desenvolvimento da internet resultando na rápida difusão cultural e informacional em uma escala nunca antes vista. Todavia, embora possibilitasse a facilidade de buscar informações, a internet também foi apontada como causa da restringência da capacidade de reflexão.

Sob esse viés, ressalta-se o pouco tempo disponível para as crianças refletirem devido ao uso contínuo de tecnologias. Nesse contexto, cabe menciona a obra ‘‘Para compreender a ciência’’, na qual salienta que o desenvolvimento do conhecimento racional e construção da sociedade deve-se, sobretudo, da capacidade humana de refletir as abstrações que marcavam as várias instâncias da vida que tangem o homem.  Portanto, é notório observar, a importância da reflexão na formação social e individual do ser humano. Todavia, atualmente, o estímulo contínuo sofrido pelas crianças pelo uso constante de aparelhos eletrônicos - como jogos de celular e desenhos em televisões - impossibilita que a criança possa refletir sobre o mundo que o cerca, dificultando seu desenvolvimento socio-cognitivo.

Em uma segunda análise, destaca-se a perda cultural como consequência do declínio das habilidades mentais de elaboração e entendimento de ideias. No decorrer do período entre guerras, surge - na Alemanha - a Escola de Franlfurt. Essa escola de pensamento, buscava entender as consequências sociais do comportamento consumista desenvolvido pelo modo de produção capitalista. Nesse processo, o pensador Theodor Adorno, desenvolveu o conceito de ‘‘Industria Cultural’’, cujo pensamento entendia que a as grandes corporações buscavam padronizar a cultura para obter um mercado mais consolidado através da manipulação dos desejos e pensamentos do indivíduo destruindo sua autonomia como autor de ideias. Nessa perspectiva, a cultura das massas torna-se mais difundida e a produção cultural reflexiva cai no ostracismo. Dessa forma, a produção cultural transfigura-se em produto para o lucro e não mais como expressão do mundo que o circunda.

Mediante esse descompasso, é fulcral que o Ministério da Cultura e Educação (MEC) torne obrigatório o ensino de filosofia e cultura nas escolas - tanto públicas, como privadas - com o objetivo de formar cidadãos mais autônomos ao que se refere ao pensamento e produção cultural. Outrossim, psicopedagogos devem desenvolver, em parceria com professores de sociologia e filosofia, métodos de aulas reflexivas que permitem ao aluno horários de ‘‘aulas vagas’’ em que o mesmo deve promover sua capacidade de reflexão sobre assuntos de seus interesses individuais e, posteriormente, debates e exemplificações profissionais a respeito do tema refletido - Como já existente na Holanda -.