A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 16/03/2020

Sócrates, um importante filósofo grego, demonstrava, em praça pública, que pessoas reconhecidas por seu alto conhecimento em suas áreas de trabalho, na verdade, não possuíam entendimento acerca de questões básicas e profundas que as compunham, como um médico que não compreende o conceito de vida. Da mesma forma, a internet torna parte de seus usuários em pseudointelectuais que, em detrimento de suas capacidades de reflexão, se deixam levar pela soberba da falsa noção de sabedoria. Essa ilusão gerada pela alta quantidade de informação presente no meio virtual é fruto de uma falta de criatividade que deveria ser desenvolvida desde a infância nas escolas.

Diferentemente do que Platão dissertou em sua obra “O mito da caverna”, não é apenas a falta de conhecimento que cega as pessoas, mas também o seu excesso, uma vez que tal situação pode gerar uma confiabilidade no próprio arcabouço intelectual e, assim, torna-se menos suscetível a refletir e se desprender de conceitos carregados até então. Em Filosofia, isso se chama “crise”, encontrar diferentes ideias e realizar um embate entre as pré-estabelecidas e novas. Passar por esse processo é fundamental para se construir uma mente crítica e aberta a buscar mais conhecimentos, pois, assim, se compreende que nem tudo é como se pensa ser. E as escolas tem papel fundamental nesse quesito.

Isso é evidenciado pelo filósofo Iluminista Rousseau que, em seu livro, “Emílio” discute a respeito da educação como um meio necessário para a formação de pessoas críticas. Isso ocorre principalmente pela presença do debate e da contemplação que devem existir em sala de aula. O primeiro nos apresenta novas ideias e oferece a possibilidade de passar pela anteriormente citada “crise”. O segundo nos permite ter uma noção de grandiosidade, vendo que há coisas maiores além daquilo que já se conhece. Em especial, as aulas de filosofia e arte constituem diálogo e provocações reflexivas, sendo que diferentemente de outras disciplinas, nos levam a perceber a profundidade e as nuances presentes em diferentes meios da vida as quais não se percebem normalmente. E é dessa forma que se constrói a epifania do descobrimento de novas possibilidades como na reflexão de questões aparentemente simples como o que é próprio conhecimento.

É diante disso que para melhor desenvolver uma criticidade nas crianças, tendo em vista gerar pessoas mais aptas a utilizar daquilo que se disponibiliza na internet de maneira consciente, fica a cargo do Ministério da Educação ampliar o ensino de filosofia e artes para alunos mais novos do ensino fundamental com uma abordagem mais profunda, não apenas para o nível médio, como um meio de estimular os mais jovens a pensarem e expressarem o que entendem pelos assuntos do mundo, vendo, assim, novas ideias e produzindo a reflexão e a emoção do descobrimento.