A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 14/03/2020
A Internet é a mais importante ferramenta de comunicação, de acesso à informação e de entretenimento do início do século XXI, tendo extrema importância na formação da opinião pública. Apesar da grande quantidade de conhecimento à disposição, o usurário não consegue absorver bem os vários assuntos impostos, restringindo, assim, sua capacidade de reflexão e discernimento dos fatos. Desse modo, cabe avaliar como o individualismo e a baixa criticidade dos internautas influenciam na temática em questão.
É importante destacar, primeiramente, que o individualismo dos usuários é a principal causa de sua baixa capacidade de reflexão. Isso acontece porque, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman, o ambiente virtual angustia o internauta, o qual tem sua satisfação pessoal condicionada ao acesso a informações, aos jogos e ao entretenimento oferecidos em rede. Dessa forma, a ganância excessiva pelo bem individual instiga o usuário ao acesso constante e descontrolado, não conseguindo absorver veementemente todas informações dispostas. Prova disso é que uma pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo, mostra que, aproximadamente, 25% da população brasileira é dependente do uso contínuo de Internet.
Outrossim, seria ingênuo não observar que o escasso senso critico de muitos usuários também os torna reféns da restrição da capacidade de reflexão. Isso ocorre devido à prática da leitura não ser habitual no país, o que faz o internauta não diversificar as fontes de consultas, nem se aprofundar naquilo que é pesquisado, definindo seu ponto de vista com base em manchetes. Tal descompromisso quanto a veracidade do conhecimento que é absorvido tem sido explorado maleficamente por algumas fontes de informações, para a propagação, exponencial, de notícias falsas. Logo, o engajamento político-social do internauta é prejudicado, tornando-os prisioneiros de suas amarras intelectuais, não pensando nos porquês das informações obtidas durante o dia.
Torna-se evidente, portanto, que o individualismo e o baixo senso critico dos usuários de Internet restringe sua capacidade de reflexão. Nesse sentido, é fundamental que os Ministérios da Educação e da Saúde, em parceria com os estados e municípios, promovam, em escolas e universidades, palestras e debates interdisciplinares sobre os malefícios do pensamento individual e do uso contínuo da Internet. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com meios de comunicação, como jornal e plataformas de vídeos online, deve esclarecer a relevância da leitura para o engajamento pessoal e o combate às manipulações. Assim, a Internet será, finalmente, um verdadeiro local de intercâmbio de conhecimento e entretenimento favorável ao bem comum.