A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 16/03/2020

O personagem da tela “Abaporu”, da pintora modernista Tarsila do Amaral, apresenta uma grande disparidade entre suas dimensões. A cabeça minúscula em contraste com o corpo imenso expõe a ausência de criticidade de alguns brasileiros no século XX. Entretanto, a insuficiência de discernimento daquela época tem perpetuado até os dias atuais e propicia o surgimento de novos problemas como os relacionados às informações veiculadas na internet. Por esse viés, cabe analisar os avanços e desafios que envolvem essa questão no Brasil.

Inicialmente, constata-se que o Poder Público apresenta certa funcionalidade perante a democratização da informação através da internet. Isso porque há um processo eficiente de investimento financeiro, uma vez que a instalação de dispositivos de rede sem fio em locais públicos tem feito com que parte das pessoas de classe baixa possam ter acesso às notícias veiculadas em rede de forma mais rápida. Sendo assim, verifica-se que o governo tem assegurado, em determinada medida, o bem-estar de todos os cidadãos, demonstrando, dessa forma, o cumprimento da Constituição Federal de 1988, que garante a todos o direito à informação.

Entretanto, enfatiza-se que aceitar a propagação de notícias falsas é naturalizar o mal. Prova disso é que parte da população que tem acesso à internet não tem a capacidade de julgar se as informações nela veiculadas são verídicas ou não, o que faz com que cresça a desinformação, a crença em mentiras e movimentos, como o “Antivacina”. Todavia, parcelas da sociedade tem apresentado certa apatia diante dessa problemática. A banalização desse mal pode ser elucidado tomando como base as reflexões filosóficas de Hannah Arendt, já que, segundo ela, a massificação cultural faz com que as pessoas aceitem quadros negativos sem questionar.

Convém, portanto, ressaltar que os problemas relacionados à internet, como a falta de reflexão devem ser superados. Logo, é necessário exigir do Estado, por meio de debates em audiências públicas, investimento financeiro na educação básica, com a finalidade de que as escolas formem cidadãos com senso crítico e capacidade cognitiva de julgar as informações que recebem na internet. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas promovidas por Organizações não Governamentais, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante dessa problemática, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol do combate às notícias falsas. Desse modo, a falta de criticidade poderia ficar restrita ao personagem da tela “Abaporu”.