A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 15/03/2020
Ao inventar a máquina de impressão tipográfica no século XV, Gutenberg revolucionou a distribuição informacional. Alexander Bell, séculos depois, contribuiu significativamente para a evolução das telecomunicações com o invento do telefone. Porém, é com Tim Berners-Lee, conhecido como “pai da internet”, que ocorrem a mais drásticas e importantes transformações no tocante a mídia informativa, proporcionando ao ser humano o acesso a uma extensa gama de informações. Posto isso, é necessário avaliar as consequências que essas alterações podem acarretar na capacidade cognitiva de reflexão dos indivíduos.
Bauman, sociólogo polonês, utiliza o termo “modernidade líquida” para referir-se ao mundo globalizado, caracterizado pelo individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações. Utilizando-se desse pensamento no mundo digital, percebe-se que para acompanhar tal liquidez exigida, faz-se necessário abandonar a reflexão, visto que essa requer tempo. Outrora as pesquisas eram feitas por meio de enciclopédias e livros, o que tornava a busca dispendiosa, contudo, o esforço empregado fazia com que a jornada fosse reflexiva e consciente. Com a advento da internet, os mecanismos de busca reduziram as jornadas de pesquisa de horas para segundos, banalizando, assim, o conhecimento adquirido e tornando-o não reflexivo.
Outrossim, em suas obras, o filósofo moderno Kant, critica a permanência do homem em sua menoridade, na qual para esse, por comodismo, preguiça e covardia seria mais conveniente receber orientações alheias. De maneira análoga a concepção kantiana, percebe-se o uso irrestrito da internet pela sociedade com a finalidade de reduzir processos e facilitar o cotidiano, renunciando em fazer uso de seu próprio raciocínio. A exemplo pode-se citar aplicativos que prescrevem dietas e exercícios físicos, ou que selecionam o parceiro ideal para relacionar-se, tornando seus usuários passivos na escolha ao aceitarem sem questionamento aquilo que lhes é ordenado.
Diante do exposto, é indubitável que as mudanças suscitadas pelo surgimento da internet transfiguraram a capacidade reflexiva dos seres humanos. Assim sendo, urge medidas para atenuar a problemática. Para tal, o Ministério da Educação, por intermédio das escolas, deverá elaborar projetos no plano pedagógico que incluam aulas interdisciplinares, palestras e simpósios, a fim de debater entre alunos, professores e comunidade a importância da reflexão na era da informação, além de incentivar a formação do pensamento crítico mediante diferentes fontes. Dessa maneira os indivíduos poderão se libertar de seu estado de menoridade.