A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 16/03/2020
A série americana “Black Mirror” – em seu episódio “White Bear” -, retrata a história de um agrupamento social, em que toda a população é submetida ao controle de um misterioso sinal oriundo da internet, transformando-se, então, em espectadores passivos de sua própria vida. De maneira análoga à situação exposta na narrativa ficcional, a sociedade hodierna parece ter tido sua aptidão reflexiva reduzida e muito se tem discutido acerca da influência da internet perante a situação. Nesse contexto, convém o emprego de um olhar crítico de enfrentamento acerca das principais causas e consequências do impasse para a nação tupiniquim.
A princípio, verifica-se que a demasiada quantia de informes abarcadas na rede mundial de computadores configura-se como uma das principais causas do imbróglio. A esse respeito, o sociólogo Manuel Castell, em seu livro “Sociedade em Rede”, afirma que a modernidade se encontra em estado de “obesidade social”, onde os indivíduos, perante um colossal número de informações, buscam acumular uma porção cada vez maior de conhecimentos. Todavia, ocorre que, tal acúmulo é realizado privilegiando-se exclusivamente a quantidade de dados, realocando o discernimento e análise da qualidade e da veracidade de tais conteúdos para um segundo plano.
De outra parte, nota-se que, paradoxalmente ao motivo pela qual foi criada, a internet e seu uso descomedido representam significativos riscos ao desenvolvimento do senso crítico social. Sob essa perspectiva, o livro “A bolha do Filtro: O que a internet está escondendo de você?” - de autoria de Eli Pariser, presidente da MoveOn.org -, aponta que a utilização da internet reduz a habilidade reflexiva do corpo social na medida em que restringe a totalidade de informes nela contidos, limitando-os a apresentação de conteúdos que vão de encontro ao pensamento do indivíduo. Dessa forma, em consequência de possuírem os conteúdos, aos quais dispõe do acesso, reclusos ao seu mundo particular, o sujeito fica impossibilitado de ter seu conhecimento ampliado, alargando seus horizontes e fomentando o pensamento crítico, reflexivo e questionador.
É evidente, portanto, a necessidade da solidificação de políticas que visem desenvolver o pensamento reflexivo na nação brasileira. Destarte, cabe ao Ministério da Educação, incluir o ensino em educação digital como um componente curricular obrigatório em todas as instituições de ensino do país. Pode-se, ainda, aliar tal atitude com a realização de palestras com profissionais especializados na área, para que assim, desde cedo, as crianças possam aprender acerca da forma correta de utilizar a internet de modo a potencializar seu aprendizado. Por fim, cabe ao Estado, tornar crime passível de multas a utilização de filtros e restrição da informação por parte da rede mundial de computadores.