A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 15/03/2020
Com o advento da Revolução Digital, a partir da segunda metade do século XX, as relações humanas e o padrão de consumo de informações mudaram radicalmente, especialmente a partir dos anos 2000, com a democratização do acesso à Internet. Apesar de esse fenômeno representar um grande avanço tecnológico, é notável que provoca impactos positivos e negativos tanto em uma perspectiva individual como em uma visão social, e, dessa forma, deve haver uma atenção maior a forma como essa ferramenta é utilizada.
De fato, o acesso à informação é algo que deve ser valorizado, tendo em vista que a Internet propicia que pessoas de diferentes camadas sociais tenham acesso ao conhecimento e a notícias instantaneamente. No entanto, toda essa informação só é útil se utilizada com sabedoria: a mera reprodução de manchetes em redes sociais, por exemplo, não é tão enriquecedora como poderia ser se os usuários tivessem uma preocupação maior em debater sobre o assunto e analisar os acontecimentos de forma crítica, além de verificar a veracidade dos fatos. Um sintoma disso é a propagação das chamadas fake news (notícias falsas), que se tornaram um fenômeno cada vez mais comum e prejudicial à sociedade.
Essa forma superficial de consumir e propagar informações está relacionada diretamente com o conceito de Modernidade Líquida cunhado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que descreve como a contemporaneidade é marcada pela volatilidade e pela liquidez, o que gera incerteza quanto às relações humanas, às instituições e às informações. Dessa forma, apesar da grande quantidade de conhecimento disponível, a ignorância continua sendo um grande mal na sociedade. Um exemplo disso é a força que as campanhas anti-vacina e conceitos como o terraplanismo têm ganhado nas redes sociais nos últimos anos, especialmente nos Estados Unidos, prejudicando o avanço social e científico.
Diante desse panorama, é preciso que a sociedade desenvolva um senso crítico maior em relação ao conteúdo consumido e propagado na Internet: devem ser feitas campanhas pelo governo e pelo terceiro setor que conscientizem a população acerca do consumo responsável de informações, valorizando a análise consciente e imparcial dos fatos, de modo que a sociedade se beneficie mais da democratização e da instantaneidade das informações. Além disso, a escola e a família também têm um grande papel: o pensamento crítico deve ser fomentado nas novas gerações, demonstrando-se a importância de questionar e analisar os fatos de forma embasada. Dessa forma, o consumo de informações nos espaços virtuais poderá ser mais benéfico e proveitoso para a sociedade.