A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 16/03/2020
A Idade Média foi o período da história ocidental em que a Igreja Católica exerceu forte influência sobre as informações circulantes. Nesse sentido, ideias que iam em desacordo com os dogmas cristãos eram passíveis de censura, mergulhando a sociedade na alienação. Na atual conjuntura, a despeito do Medievo -graças ao advento da internet- a humanidade tem acesso a uma quantidade infindável de informações . Todavia, tal imensidão de conteúdo ainda suscita dúvidas quanto a seu real impacto na vida crítica e social dos indivíduos contemporâneos. Por isso, faz-se relevante o debate quanto ao paradoxo informacional da internet e suas consequências na capacidade reflexiva.
A priori, é importante analisar o conceito de pós-modernidade de Zygmunt Bauman. Segundo o filósofo, as redes mundiais de comunicação conformaram uma circunstância em que há grande acesso ao conhecimento, porém, ao mesmo tempo, vive-se uma liberdade ilusória devido às manipulações as quais os sujeitos estão passíveis no mundo digitalizado. Sendo assim, os internautas estão expostos a mecanismos filtradores de informação que, baseados no uso diário, lhe transmitem somente ideias que corroboram uma perspectiva, criando uma bolha ideológica. Com isso, é possível inferir que os usuários são involuntariamente analisados,de modo que, o senso crítico individual é prejudicado.
Outrossim, convém ressaltar o papel da família moderna no processo de estímulo ao conhecimento. Isto porque, a internet é de sobremaneira constituinte da vida dos cidadãos pós-modernos, sobretudo os infantes, que tem contato desde a mais tenra idade com a rede mundial, pois os pais veem os aparelhos tecnológicos como um método de escape ao exercício das atribuições parentais. De acordo com Émile Durkheim, a família, como instituição formadora de caráter, deve prover os exemplos que constituirão os adultos. Desse modo, os pais ao não impor limites ao uso indiscriminado e sem propósito da tecnologia, contribuem para a constituição de sujeitos alienados.
Portanto, para amenizar o quadro atual, o Governo, através do Ministério da Educação, deve promover a discussão do tema no ambiente escolar. Para isso, o órgão deve propiciar, com o auxílio de materiais didáticos e especialistas, rodas de conversa em que participem pais, mestres e alunos, com fito de instigar o uso correto da tecnologia para fins de aprendizado. Ademais, o Ministério da Saúde deve veicular peças publicitárias que explicitem os riscos do uso exacerbado da tecnologia pelos jovens, para sensibilizar a comunidade quanto a essa questão, que degrada a cognição. Com essas medidas, será possível assegurar o bom uso da internet, de maneira, que ela funcione para fins consideráveis, e não como vetor de alienação.