A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 24/05/2020

É notável que a crescente acessibilidade tecnológica potencializou a comunicação e a circulação de informações no mundo inteiro. No Brasil, de acordo com o IBGE, cerca de 69,8% da população tem conexão com a internet, o que é equivalente a 126,2 milhões de usuários brasileiros nas redes. O frequente contato com mídias digitais faz com que as pessoas percam a capacidade de refletir sobre os conteúdos consumidos e se deixem levar pelos reflexos da cultura imediatista.

As plataformas digitais são recheadas de todos os tipos de informações, que são atualizadas e compartilhadas a todo momento, cujas ,normalmente, possui acesso irrestrito. Com a grande quantidade de dados dispostos a qualquer hora, a vontade e curiosidade de consumir o maior número destes no menor tempo possível é algo desejado por grande parte dos internautas. Tal fato colabora também para que os usuários tenham preguiça de avaliar se o material à ser consumido é relevante ou não para seu conhecimento. Esse comportamento pode trazer malefícios como a incapacidade de reflexão e dificuldades na aprendizagem do indivíduo.

No livro “Choque do presente: quando tudo acontece agora” do teórico Douglas Rushkoff, o escritor atribui a cultura do imediatismo às mídias digitais, afirmando que elas teriam abolido a ideia do amanhã. Isso acontece porque, a todo momento, surgem coisas novas e se tem o sentimento de obrigação de dar conta de tudo. Junto a isso se perde a capacidade da sociedade de planejar, avaliar e refletir suas prioridades, o que pode transformar o cotidiano em um verdadeiro caos.

Entretanto, medidas são necessárias para resolver este impasse. Cabe ao Ministério da Educação se colocar frente a isso e aplicar projetos didáticos ,desde a primeira infância, que envolvam os alunos e a comunidade, por meio de debates e discussões. Cujos conscientizem a importância de filtrar os conteúdos acessados na internet e abordem práticas que estimulem a reflexão e inteligência emocional. Espera-se, com essa medida, que reflexos da cultura imediatista e a incapacitação da reflexão sejam freados no Brasil.