A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 22/06/2020

No episódio ‘Queda Livre’, da série Black Mirror, há a abordagem de uma sociedade distópica, na qual a vida depende completamente do status que cada indivíduo possui na rede social, bem como de com quem cada pessoa se relaciona. Nesse sentido, os personagens ficam durante toda a narrativa sacrificando-se em prol de reconhecimento, com fins de conquistar e alcançar a ideologia propagada. Hodiernamente, a sociedade brasileira assemelha-se a ficção quando se percebe a importância e a convicção que as pessoas estabelecem sobre suas redes sociais e o modo com o qual se diverge de assuntos capazes de causar engajamento reflexivo.

Em primeira instância, convém ressaltar a importância e a convicção que as pessoas estabelecem sobre suas redes sociais. Nesse viés, nota-se a crescente quantidade de influenciadores digitais, a quantidade exacerbada de informações supérfluas, assim como a propagação de grandes ideologias tidas erroneamente como verdades universais. Nesse âmbito, percebe-se o aumento exponencial de ofertas informacionais, de forma a ensinar e propagar todos aqueles quesitos preferidos que o algoritmo tecnológico filtrou durante buscas e procuras online. Dado isso, Chomsky, legitima tal tese quando dita que “se quisermos podemos viver em um mundo de ilusão reconfortante”, de modo a reafirmar a bolha informacional na qual cada ser vive no mundo tecnológico.

Em consonância, cabe salientar a perca reflexiva acerca de todos os assuntos ofertados, assim como a divergência social no que diz respeito a engajamento reflexivo. Nessa vertente, a mídia utiliza-se de estratégias de manipulação para tratar de assuntos como se aquela fosse a única verdade, de maneira a estabelecer aquele ponto de vista como certo e ideal. Diante disso, Chomsky também estabelece e dita essa medida como ‘Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão’, de forma a ressaltar a atitude sensacionalista. Nessa circunstância, nota-se também uma perca no que se refere a engajamento reflexivo, pelo fato de que criar divergências e diálogos opinativos não geram certa “fama”, mas sim estabelece intrigas pelo porte de ‘verdades universais individuais’ da contemporaneidade.

Diante desse cenário, a medida interventiva mais adequada é estabelecer leis mais rígidas e limitadoras para as mídias televisivas e digitais. Isso poderá ser realizado pelo Ministério Público Federal, com o auxílio do poder Legislativo do país. Isso será viabilizado mediante leis que imponham barreiras judiciais para influências concebidas como modulação ideológica. Tudo isso para que se atenue os estudos manipulatórios estipulados por Chomsky, tal como delibere a importância diante do Ser reflexivo.