A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 11/06/2020
Para o pensador francês Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação”. No entanto, o que se observa no cenário hodierno é o oposto do que o autor prega, uma vez que se tornou frequente a facilidade de informações na internet e a consequente confinação de reflexão dos internautas. Isso ocorre, ora em função do despreparo civil, ora pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-lo eficazmente.
A priori, é imprescindível destacar que a alienação dos usuários, pela ausência de dificuldade em se informar e procurar veracidade nos fatos, é fruto da ausência de preparo da população para lidar com a influência das tecnologias. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, “o homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado”. Analogamente à esse pensamento, as correntes poderiam representar a falta de discernimento tecnológico, que faz com que o homem acabe “acorrentado”, ou seja, preso para ter seu próprio ponderamento, sem tornar uma verdade absoluta todo conteúdo que tem acesso. Logo, é fundamental a alteração desse quadro que vai de encontro à possibilidade de escolha inerente ao homem.
Outrossim, é imperioso pontuar que o alienamento do corpo social através da internet, deriva, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Sendo assim, o Estado falha no cumprimento do Artigo 6 da Constituição Federal de 1988, que diz ser seu dever proporcionar educação aos cidadãos, já que não é ensinada a importante compreensão do meio virtual. Nessa perspectiva, analisa-se que a inefetividade governamental em criar políticas públicas informativas faz surgir uma massa de internautas alienados e despreocupados em checar a procedência das informações que recebem, o que torna ambiente virtual propício à disseminação das chamadas “fake news“. Dessa maneira, a escassez do entendimento a cerca desse contexto dificultam a resolução do impasse.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater o avanço dos brasileiros alienados, com restringida capacidade de atenção, devido ao fácil acesso de conteúdos online. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela formação civil - inserir, nas escolas, desde a tenra idade, a disciplina de educação digital. Essa ação deve ser feita obrigatoriamente, em função de sua necessidade, por meio de aulas práticas e lúdicas. Espera-se com isso, tornar a internet mais democrática e menos manipulativa, distanciando-se da opinião de Bourdieu, além de cumprir sua obrigação disposta em sua Carta Magna.