A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 10/07/2020

Há mais de um século, a humanidade entrou no que é chamado de “era da informação”, na qual, à medida que a tecnologia cresce, a quantidade de informações aumenta. Sendo assim, apesar do cenário proporcionar um fácil acesso a diversos conteúdos, essa mesma situação fez com que, devido á alta velocidade da dinâmica, diminuísse a capacidade dos indivíduos em se deter em processos lentos e à longo prazo, como o de adquirir conhecimento.

Nesse nicho, como escreve Machado de Assis, “o menino é o pai do homem”, ou seja, o adulto será o reflexo daquilo que foi e aprendeu quando menor. Desse modo, o discurso do escritor realista abre espaço para refletir sobre o futuro da humanidade, uma vez que os próximos adultos serão as crianças de hoje em dia, que possuem demasiado acesso à informação e pouca capacidade de aprendizado. Tendo isso mente, a ocasião descrita acontece, haja vista que o uso das redes sociais, jogos virtuais e desenho animado criam uma ideia de velocidade diferente da realidade. Logo, o jovem procura sempre por aquilo que lhe traz constante entretenimento em um curto espaço de tempo e foge daquilo que é mais demorado e não traz um prazer instantâneo, como é o caso da leitura e do estudo. Visto isso, uma pesquisa feito pelo Instituto Pró-Livros fala que o número de jovens brasileiros e leitores diminuem a cada ano e, ainda mais, o índice de pessoas que não têm o hábito de ler é de 44%.

Por conseguinte, a problemática dificulta a coesão social que, segundo Émile Durkheim, acontece quando todos os setores da sociedade trabalham juntos e harmonicamente. De maneira análoga, uma nação não funciona devidamente,tendo em vista que o seu futuro é ameaçado por um contingente juvenil de grande acesso à informação, alto índice de ansiedade e pouca capacidade de reflexão. Dessa forma, se o uso da internet não mudar de perspectiva, o ritmo previsto é que cada vez mais pessoas precisem frequentar psicólogos e psiquiatras, em razão da grande velocidade que o cotidiano adquiriu. Nesse contexto, a pesquisa feita pela Universidade do Espírito Santo revela que o número de problemas derivados da ansiedade é o dobro em jovens com acesso à internet.

Portanto,é imprescindível ressaltar que os pais devem exercer o seu papel de principais educadores na vida da criança, por meio do controle ao acesso à internet por esses indivíduos em formação.Ainda assim, por intermédio da restrição ao conteúdo que traz vício e dificulta a aprendizagem, como jogos virtuais, redes sociais e vídeos de conteúdos supérfluos. Assim também, por meio do incentivo à leitura e às práticas de lazer que permitem a interação física com outros indivíduos, como é o caso de jogos ao ar livre e brincadeiras em família, a fim de que os jovens não supervalorizem o ambiente virtual, aprendam a gerar verdadeiro conhecimento e não sejam demasiadamente ansiosos.