A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 23/06/2020

A Terceira Revolução Industrial refere-se à inclusão e aprimoramento da tecnologia e, com ela, a internet. Esta última garante fácil acesso à informação, que tem levado a população à um certo comodismo, gradualmente subtraindo motivações, principalmente no que tange a capacidade cognitiva. No livro “The End of Absence”, o autor Michael Harris aborda questões dos impactos comportamentais e neurológicos causados pela contínua conexão digital e permeia a questão: “o que poderia acontecer se não houver mais nenhum momento de ausência?”. Dessarte, um dos problemas é o fato de que nenhum humano é capaz de compreender o individual, permanecer com suas reflexões ou momentos de introspecção, e em todos os instantes estar ligado à um dispositivo conectado à internet. Isso significa viver em um estado contínuo de atenção parcial. As consequências são preocupantes, visto que tais atitudes implicam na falta de memória, mudanças de processos cerebrais e até escassez de condições propícias para um processo criativo. Situações das quais é possível encontrar-se em estados de reflexão, análise, síntese, autocrítica e criação, livre de distrações. Outro ponto a se considerar é a automatização das decisões humanas, suportada pelos aplicativos. As facilidades, a tendência em aderir à zona de conforto, a “lei do caminho de menor resistência” leva à interpretação de passividade do consumidor, causando um “vício” progressivo no cérebro humano. Dessa forma, a opção voluntária de desconexão se torna cada vez mais difícil e rara. Assim expresso, tais afirmações refletem de maneira visível no âmbito da aprendizagem, levando em consideração que o cérebro é capaz de se reconfigurar funcionando consoante ao ambiente que lhe é exposto, situação que é comprovada por Gary Small (UCLA – EUA), pesquisador do assunto neuroplasticidade cerebral, que expôs evidências de que este órgão é reorganizado em função de incentivo externo. Portanto, a internet transforma, inconscientemente, os indivíduos em seres capazes do pensamento artificial, em detrimento do pensamento profundo, tornando-os escravos de ferramentas que foram criadas pelos próprios, produzindo dependências e necessidades que, quando não satisfeitas, causam frustração e ansiedade. Existe um grande potencial do uso tecnológico para estímulo cerebral, se a aplicação for adequada, podendo ter efeito auspicioso dependendo da faixa etária e intensidade. Pode-se utilizar dessas mesmas redes de comunicação, das quais estão tão intimamente conectados, para propagar incentivo e compartilhamento de jogos e atividades que insistem em estímulos cerebrais, fortalecendo circuitos neurais, como: palavras-cruzadas, caça-palavras e o sudoku, opções que também devem ser promovidas pelo Ministério da Saúde a fim de atingir maior parte da população, bem como distribuir mini revistas com tais atividades, com propósito de proporcionar acesso à todas as camadas sociais.