A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 24/06/2020
No século passado, Tim Berners-Lee e Hedy Lamarr trouxeram, respectivamente, a Internet e a base para o Wi-Fi, proporcionando à atualidade uma de suas transformações mais drásticas e importantes, no tangente à mídia informativa como era conhecida. Graças a esses processos, hoje é muito simples acessar a informação desejada, já que esta está, literalmente, na palma da mão de grande parcela da população mundial na forma de ‘smartphones’, acompanhada a capacidade de acessar a rede. No entanto, esta facilidade não trouxe apenas benefícios. A simplificação do acesso à informação desencadeou na dependência tecnológica e abreviamento do senso crítico, o que seriamente afetou a relação do ser humano com sua capacidade cognitiva de reflexão.
Primeiramente, na esfera socioeconômica, se faz presente a monetização da informação. Meios de mídia não mais prezam pela verdade, e sim pela capacidade daquele assunto de trazer ou não cliques. Desta maneira, não se pode confiar cegamente nesses meios para serem imparciais em relação ao conteúdo que publicam. Vale ressaltar que, perante a lógica capitalista que permeia a sociedade atual, dinheiro é sinônimo de divulgação e relevância. Assim, ocorre uma futilização do conteúdo, o que consequentemente leva à futilização do consumidor deste conteúdo, que é demasiadamente estimulado a não pensar, somente cegamente consumir.
Adicionalmente, a nível social, a popularização das redes sociais facilitou não somente a divulgação de fatos, mas de opiniões sobre eles. O proferimento de julgamentos, quer sejam ou não pertinentes, ponderados ou até mesmo aceitáveis, tornou-se faceta comum do dia a dia do brasileiro. Embora a democratização de discussões pertinentes à vida em sociedade, como política, em primeira instância pareça positiva, deve-se lembrar que nem toda opinião é embasada em veracidade de fato, e, por isso, nem todas são válidas. A problemática realmente se dá quando essas inverdades mascaradas de opiniões são espalhadas e compartilhadas a esmo, sem crítica, para, literalmente, milhões de pessoas. Se tomadas como absolutas sem prévia reflexão, o impacto negativo na psique social pode ser imensurável.
Em suma, cabe ao usuário das redes, exerça seu direito ao livre arbítrio e busque informação de várias fontes diferentes, por meio não apenas da Internet, mas também de periódicos físicos, fontes independentes e grupos de discussão, a fim de ter base necessária para, por si mesmo, formular uma opinião própria. Desta maneira, priorizando a formação do pensamento crítico, pode-se usufruir da facilidade que a Internet proporciona enquanto, ao mesmo tempo, mantêm-se intactas a participação e independência das quais dependem a cidadania.