A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 18/07/2020

A terceira revolução industrial, característica pela expansão da tecnologia, ciência e comunicação, acarretou diversos benefícios para a contemporaneidade, como a ampliação do acesso a informação, elemento primordial para o progresso nacional. Entretanto, observa-se a restrição da capacidade de reflexão por parte de seus usuários, o que se manifesta, evidentemente, como uma condição retrógrada. Esse problema latente se configura devido à atuação estatal, mas também pela mecanização do ensino no Brasil.

Constata-se, a princípio, a negligência estatal. Consoante ao pensamento do antropólogo T.H Marshall, a cidadania é somente efetiva quando há o pleno exercício de três níveis de direitos: o social, político e civil. Nesse sentido, observa-se a negação de garantias básicas aos cidadãos, uma vez que o uso incorreto da internet, elemento que prejudica o bem estar social, ainda é vigente na atualidade. Assim, tem-se uma realidade integrada por uma contradição à óptica atestada por John Locke, o qual afirma que ‘’ as leis fizeram-se para os homens, não para as leis.’’ Dessa maneira, é perceptível a presença de um cenário antagônico, no qual o descaso governamental se manifesta como um fator substancial para a progressão do entrave.

Ademais, é oportuno comentar sobre a mecanização do ensino no país. Sob esse viés, o filósofo Michel Foucault atesta que a padronização da disciplina garante a homogeneidade dos comportamentos humanos. À vista disso, tal visão é consoante ao fato de que os cidadãos brasileiros não são estimulados, pelas instituições de ensino, a construírem um pensamento crítico em relação aos veículos comunicativos, haja visto que são expostos a um ensino extremamente técnico, desvinculado das questões comunitárias. Logo, é notório que esses obstáculos estruturais prejudicam amplamente a totalidade do corpo social, pois inviabilizam indagações sobre a questão e constroem uma uniformidade de inerência frente aos assuntos de uma sociedade.

Portanto, novos caminhos devem ser elucidados, a fim de garantir o pensamento reflexivo dos usuários da internet. Dessa forma, cabe ao Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, estabelecer uma parceria com o MEC, para a promoção de palestras sobre a temática nas escolas. Isso deve ser feito por meio de alterações na BNCC (Base Nacional Comum Curricular). As mencionadas discussões devem ser ministradas por profissionais do ramo tecnológico, sendo acessíveis ao público geral, para garantir a ampliação desses debates. Somente assim, o poder público poderá modificar o atual panorama e possibilitar, em totalidade, a garantia do desenvolvimento informacional do mundo globalizado.