A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 28/07/2020
“Quem não comunica, se trumbica”. Essa frase, atribuída a Chacrinha, o “Velho Guerreiro”, famoso apresentador de programas de auditório no Brasil, traz consigo a importância da comunicação para os indivíduos. No entanto, principalmente com o advento da internet, as pessoas passaram a ser bombardeadas por uma quantidade quase infindável de informação, de modo a impossibilitar sua assimilação, contribuindo para a formação de uma “Sociedade informacional” apenas, em detrimento de uma “Sociedade do Conhecimento”.
Primeiramente, a Terceira Revolução Industrial, também conhecida como “Revolução-Técnico-Científico-Informacional”, propiciou a invenção de vários veículos de comunicação. O principal exemplo foi a criação da internet, que possibilitou o aumento da velocidade de veiculação das informações no mundo. Por conseguinte, houve grande aumento do acesso à informação, nunca antes visto, contribuindo para o surgimento de uma sociedade preponderantemente informacional.
Em segundo lugar, observa-se que o desenvolvimento do sistema de informação moderno não veio acompanhado de um crescimento na geração de conhecimento. Nesse contexto, é válido o pensamento de Eliot, escritor inglês, que aponta a decadência da cultura e a possibilidade de tempos vindouros desprovidos dela. Isso ocorre devido à chamada “cultura da superficialidade”, onde há busca de entretenimento fácil e volátil, de prazeres fáceis e instantâneos, com afastamento da reflexão, sem qualquer esforço intelectual de assimilação das informações.
Ademais, o ato de comunicar é inerente às relações humanas. Desse modo, o conhecimento é fruto de processos de interação entre os indivíduos, ou seja, de suas relações interpessoais quando se comunicam, bem como do compartilhamento de informações entre eles. Infere-se, assim, que, para a construção do conhecimento, não basta quantidade, mas sim, qualidade da informação, acompanhada de boa compreensão. Dessa forma, não fosse a volatilidade acima apontada, a “Sociedade do Conhecimento” seria possível.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas para mudar essa realidade. Para tanto, o Ministério da Educação deve implantar nas escolas de ensino primário, fundamental e médio, as disciplinas “Cultura” e “Ciência da Informação”, com interdisciplinaridade entre ambas, de modo a formar pessoas mais aptas na recepção informacional hodierna. Desse modo, será possível a construção de uma sociedade desenvolvida, tendo como pilares o conhecimento e a cultura, formada por indivíduos que não se “trumbicam”.