A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 31/07/2020
Há séculos, Sócrates, de acordo com os registros de Platão, disse “A vida irrefletida, não vale a pena ser vívida” com o intuito de demonstrar a importância da reflexão na vida de uma pessoa. Contudo, mesmo em uma época com uma maior facilidade, devido a internet, ao acesso à informação, esta é manipulada e, portanto, não é produzida a fim de gerar verdadeiro conhecimento, mas sim, para restringir a capacidade de reflexão e criar perigosas segregacionistas bolhas sociais. Diante dessa perspectiva, faz-se mister avaliar o que está por trás dessa situação.
Em primeiro lugar, é indubitável afirmar que todos os dias milhões de pessoas, ao utilizar a internet, na procura por mais informação, terminam por deixar nela dados sobre preferências e opiniões; porém, todos esses dados são diariamente recolhidos, manipulados e ganham carácter de mercadoria. Como visto no documentário “Privacidade Hackeada”, com o uso de softwares capazes de interpretar tendências de usuários e enviar sugestões de temas similares, corporações, como a Cambridge Analytica, são capazes de influenciar, de maneira sutil, até mesmo eleições inteiras. Nesse sentido, ao usar a internet um indivíduo tem sua liberdade de pensamento afetada, já que seu acesso à informação é manipulado, com o propósito de influenciá-lo e não de o fazer refletir.
Ademais, esses softwares ao enviar sugestões de mesmos temas e visões, de acordo com as preferencias e opiniões de um usuário, esse termina por entrar em um ciclo vicioso que dificulta a reflexão. Segundo a Teoria do discurso, do contemporâneo filósofo alemão Habermas, o conhecimento só é gerado a partir de uma reflexão real advinda do debate de opiniões opostas. Dessa forma, embora indivíduos recebem mais informações, essas têm a mesma visão o que termina por fechá-los em bolhas sociais de um ciclo manipulado de reprodução de um mesmo conteúdo, sendo assim, dificultando as reflexões desses usuários e impossibilitando a produção de verdadeiro conhecimento.
Em virtude dos fatos mencionados, a internet dá ao usuário séries de informações repetitivas, segregando-os em bolhas sociais de pessoas que só concordam, restringindo suas capacidades refletivas. Portanto, o Ministério da Educação, junto com profissionais de informática especializados na área, deve explicar a pais e alunos, sobre a importância e os perigos do mundo virtual, a partir do promoção de palestras para ensinar como melhor usar essa ferramenta, em prol de cidadãos mais conscientes e reflexivos na internet. Dessa maneira, a sociedade perceberá, na verdade, que “Não sabe que nada sabe”.