A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 14/08/2020
O surgimento da internet, grande marco da revolução tecnológica do século XXI, alterou a dinâmica do consumo de informações, pois o alcance dessa ferramenta exponenciou a propagação de dados. Entretanto, as potencialidades desse fenômeno vêm sendo contrariadas, já que em vez de exercitar a cognição, a internet tem iletrado seus usuários. Nesse âmbito, cabe analisar o papel da internet como ferramenta de disseminação de informações e a relação entre disponibilidade de material e aprendizado.
Outrora, sobretudo na idade média, conhecimento era privilégio, hoje, entretanto, a era digital tem propiciado a democratização da ciência, uma vez que o acesso a informação é possível a todos em qualquer hora e em qualquer lugar. Segundo o sociólogo espanhol Manoel Castells, a tecnologia foi responsável pela quebra de dois paradigmas contemporâneos: o espaço e o tempo. Dessa maneira, somos caracterizados como a sociedade da informação, posto que a internet a transformou em um bem indispensável ao desenvolvimento humano. Em suma, a rede é responsável por suprir a contemporânea necessidade de riqueza informacional.
Não obstante, a sociedade da informação não refletiu na construção da sociedade do conhecimento, isto é, não favoreceu o aumento da capacidade reflexiva da população. Isso se deve a inabilidade de lidar com a grande carga de conteúdos, o que, por sua vez, está pautado na ausência de medidas educacionais para o uso da internet. Assim, em vez de culminar num aumento de repertório, provoca distúrbios, como por exemplo, a ansiedade informacional. Além disso, cabe pontuar a desinformação, um fenômeno decorrente da super-abundância de notícias, o que está intimamente atrelado à problemática, já que a necessidade de acompanhar o ritmo da rede induz equívocos.
Logo, o Ministério da Educação e Cultura deve implementar medidas para eliminar os fatores que atrapalham a ação da internet como ferramenta para construção intelectual da população. Para isso, é necessário criar um componente curricular voltado para o uso consciente da internet, o qual ensine tanto a proceder diante do vasto acervo online, quanto a evitar o fenômeno da desinformação. Dessa forma, o sistema de ensino tornará a sociedade apta a usufruir dos benefícios da sociedade da informação, rumo a construção da sociedade do conhecimento.