A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 08/10/2020

Trem, avião, internet. Essas são algumas das invenções oriundas das Revoluções Industriais responsáveis por facilitar o transporte pelo planeta e por tornar a comunicação praticamente instantânea. Contudo, apesar dos avanços proporcionados, houveram prejuízos relacionados a essa facilidade de obter informações. Sob tal ótica, a capacidade de reflexão dos indivíduos reduziu-se com essas novas tecnologias, como mostra a imensa quantidade de notícias falsas e a lógica de só consumir os conteúdos que reiteram a própria opinião.

Inicialmente, os impactos das “fake news” na sociedade revelam a falta de questionamento do que se recebe. Em consonância com René Descartes, todo conhecimento adquirido deve ser levado à prova para que possa se tornar confiável, é a chamada “dúvida hiperbólica”. Entretanto, esse exercício de apuração não é comumente praticado, visto que há um compartilhamento precoce e inconsequente de notícias sem a averiguação de sua veracidade, causado pelas facilidades proporcionadas pela internet. Dessa forma, percebe-se que, embora as redes sociais aumentem a participação das pessoas, essa não é acompanhada do rigor jornalístico necessário para evitar manipulações e difamações.

Outrossim, a falta de contato com visões de mundo divergentes prejudica a construção de um posicionamento autoral. De acordo com Bauman, as mídias sociais criam uma “zona de conforto” para os indivíduos, pois não há uma ampliação do diálogo, mas sim um espaço fechado para aqueles que pensam diferente. Diante disso, o ato de bloquear ou “cancelar” outra pessoa, tão frequente na internet, vai contra um princípio básico da democracia, o respeito a diversidade de opiniões. Além disso, segundo Mário Sérgio Cortella, só há avanço social com a discordância. Nesse sentido, essa prática de consumir apenas uma forma de analisar o mundo pode gerar pessoas que só repitam a ideia de outro, sem que haja uma postura reflexiva e crítica, a qual é obtida quando ocorre o debate aberto com todos.

É mister, portanto, tomar medidas que promovam um uso mas inteligente e questionador das novas tecnologias digitais que vieram com a 3ª Revolução Industrial. Logo, cabe ao Poder Executivo municipal ensinar técnicas de averiguação de notícias à população, por meio da inclusão desse conteúdo no componente curricular do ensino básico e da oferta de cursos gratuitos a todos em escolas e prédios públicos. Ademais, nessas aulas serão ministradas técnicas de jornalismo, como a checagem da fonte, a diferença entre fato e opinião, bem como a importância de ver conteúdos produzidos por pessoas de posicionamentos políticos divergentes. Espera-se, assim, atenuar a disseminação de notícias falsas,  estimular a construção de uma postura crítica e aumentar o livre debate.