A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 04/09/2020

Há séculos, Sócrates, de acordo com os registros de Platão, disse “A vida irrefletida, não vale a apena ser vivida” com o intuito de demonstrar a importância da reflexão. Contudo, mesmo em uma época com uma maior facilidade, devido à internet, ao acesso à informação, essa está sendo usada de maneira a restringir a capacidade de reflexão e criar bolhas sociais, que segregam a sociedade. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores contribuintes com essa situação.

Em primeiro lugar, é indubitável afirmar que todos os dias milhões de pessoas, ao usar a internet na procura por mais informação, deixam dados sobre preferências e opiniões. Entretanto, como é visto no documentário “Privacidade Hackeada”, com o uso de softwares capazes de interpretar tendências e enviar sugestões para usuários, corporações, como a Cambridge Analytica, conseguem influenciar, de maneira sutil, até eleições inteiras. Nesse sentido, ao usar a internet um individuo tem sua liberdade de pensamento afetada, já que seu acesso à informação é manipulado com o propósito de influenciá-lo, e não de o fazer refletir.

Ademais, esses softwares ao enviarem sugestões de mesmos temas e visões, de acordo com as preferencias do usuário, terminam por criar um ciclo vicioso que dificulta oposição e reflexão dos pensamentos. Segundo a Teoria do discurso, do filósofo alemão Habermas, o conhecimento só é gerado a partir de uma reflexão real advinda do debate de duas opiniões opostas. Dessa forma, embora os indivíduos recebam mais informações, eles terminam por serem fechados em bolhas sociais de um ciclo controlado de reprodução de mesmos conteúdos, e, sendo assim, dificultando as reflexões desses usuários e impossibilitando a produção de verdadeiro conhecimento.

Portanto, em virtude dos fatos mencionados, a internet dá ao usuário séries de informações repetitivas e manipuladas, segregando as pessoas em bolhas sociais que só concordam, restringindo suas capacidades reflexivas. Portanto, faz-se mister que o Ministério da Educação junto com profissionais de informática, explique, para pais e alunos, sobre a importância e os perigos do mundo virtual, por meio de palestras, nas escolas de todo o Brasil, que ensinem melhor sobre como usar essa ferramenta, a fim de gerar cidadoas mais conscientes e reflexivos na internet. Dessa maneira, a sociedade perceberá enfim que “Não sabe que nada sabe”.