A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 12/02/2021
O avanço das tecnologias da comunicação facilitou a circulação de informações, entretanto, a forma acelerada e excessiva do consumo de tais conteúdos tem diminuído a reflexão sobre o que é absorvido nos meios como mídias e redes sociais. Além dos efeitos gerados na saúde mental dos indivíduos, como dependência tecnológica e ansiedade, o descontrole e a falta de tratamento do conhecimento transmitido contribuem para a passividade do ser cidadão.
Um dos problemas da falta de reflexão provocada pelo excesso de informações na internet é a ausência de aprofundamento em torno de debates importantes expostos nesses espaços. Um exemplo foram as queimadas que aconteceram na Amazônia e no Pantanal, exibidas na mídia tradicional (televisiva e impressa) como também nas mídias alternativas (jornais on-line) e circuladas nas mídias sociais (Youtube, Facebook, Twitter e Instagram). Muitas imagens e conteúdos circularam, porém não houve muitos avanços no sentido da mobilização da sociedade civil (encaminhamentos, fóruns, debates, cobrança no Congresso, entre outras).
Assim, a internet pode também estar gerando a “disfunção narcotizante”, conceito atribuído pelos filósofos da escola de Frankfurt , que pensavam que alguns meios de comunicação, como a televisão, não provocavam a reflexão nos indivíduos. Segundo os pensadores da indústria cultural, o sujeito que consome a informação produzida pelos meios de comunicação de massa acredita que já está bem informado, tendo uma contribuição passiva, ao invés de ativa.
Para combater a superficialidade desencadeada pela enxurrada de notícias, é preciso que existam campanhas que despertem para o consumo estratégico e consciente do que é disseminado nesses meios. As escolas, por exemplo, devem estar atentas para integrar os meios digitais na vida dos estudantes de modo sadio, o qual tenha como diretriz o processamento das informações para preparar cidadãos formadores de opinião.