A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 11/02/2021
Na sociedade líquida contemporânea, a internet é um símbolo chave e peça indispensável de criação e disseminação da informação. Todavia, a adaptação da internet, pelas empresas de tecnologia, favoreceu a reprodução em massa de conteúdo, tornando-o supérfluo e dispensando a capacidade crítica e de reflexão dos usuários. Aliado a isso, o potencial de vício e outros danos psicológicos repercute na saúde mental dos indivíduos e sociedade.
Em primeiro plano, o enorme potencial de influência íntima e constante da internet sobre os indivíduos foi usado para moldar os usuários no perfil desejado por gigantes da tecnologia. Com o advento dos “smartphones”, a internet está disponível a quase qualquer hora e lugar, inundando os aparelhos com informações feitas à medida para prender a atenção dos usuários. Ademais, conforme se conhece melhor o comportamento humano (e como manipulá-lo), tornou-se trivial consumir o tempo dos internautas e viciá-los em estarem conectados na rede.
Em sequência, a problemática sobre informação e reflexão é que a velocidade e curto tempo de vida do conteúdo coíbe o exercício de análise crítica dos usuários. Tem-se um círculo vicioso em que: de um lado especialistas encontraram vínculos entre uso excessivo de tecnologia e agravamento de ansiedade e potencial de vício; de outro os “apps” são desenvolvidos para apenas apresentarem e aceitarem informações truncadas. Paradoxalmente, a reflexão se torna supérflua em favor do banal.
Por fim, nota-se a importância do tema para a saúde mental e estabilidade social e institucional da atualidade. A fim de melhorar o cenário, são necessários esforços da esfera pública para promover hábitos saudáveis de uso da internet, marcos institucionais e vigilância sobre atos de má fé e manipulação por parte das empresas. Já são reais algumas consequências de falha, como a proliferação de fake news, negacionismo científico e políticas fundamentadas na intolerância e ideologias.