A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 22/02/2021

Na obra “Cibercultura”, o filósofo francês Pierre Lévy tematiza a abrangência de informações como advindo das redes, entretanto, tal excesso de exposição informativa permite a célere promulgação de internautas que apenas observam, aceitam e não refletem. Assim, cercado pele alto contingente de notícias e portais ligados a transmissão de algum saber, que, por vezes, se corrempe na tentativa de se gerar mais likes -fake news- o indíduo, ao não racionalizar, liga-se nesse mesmo sistema, propagando a desinformação. Tal cultura é intrínseca a capitalização da informação, no qual vender é mais importante que saber.

Mormente, é tácito pontuar que a redução no campo reflexivo populacional é traçada em uma estrutura letrada na superficialidade do saber e não no entendimento dele. Nesse prisma, no livro “A autonomia do oprimido” o pedagogo e filósofo Paulo Freyre, releva a base primitiva de transimissão do conhecimento, no qual o oprimido, é aquele que recebe o conhecimento, mas que não consegue refletir sobre ele. Tal formulação nociva é transferida a relação internauta e internet, no qual a passividade de se publicar, visualizar e enviar é sobreposta a capacidade de se racionalizar sobre o objeto que sofre tais ações. Desse modo, mudar tal conjuntura é primordial, já que a mesma corrompe o que torna o ser humano diferente: a racionalidade.

Observa-se, consequentemente, a alienação do sujeito contemporâneo, a medida que esse é colocado a operar em uma matriz mercadológica invisivel a ele: a rede. Nesse sentido, no livro “Economia 4.0” o economista estadunidense Klaus Swchab analisa como a Quarta Revolução Industrial influenciou as relaçoes trabalhistas, verificando que a indústria se aproveitou da irracionalização do sujeito para lucrar, principalemente, no meio cibernético. Desse modo, ao propagar informações, sem refletir, esse colabora para que essa chege a mais pessoas e, dessa maneira, aumente a visualização do conteúdo, o que gera capital.

Diante aos desafios supramencionados é necessário que, em parceria, o Estado e as escolas, atuem em vista a mitigá-los. Nesse interím, o Ministério da Educação, em colaboração com as instituições de ensino, deve promover aulas aos professores -por intermédio de cursos com estrutura curricular voltada a permitir ao docente incorporar maneiras de ensinar o aluno a se posicionar diante da tecnologia- com o objetivo de formar estudantes e internautas conscientes e capazes de usar as informações para sua reflexão. Somente assim, poder-se-á tornar o ser autônomo como idealizava Paulo Freyre.