A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 20/03/2021
A Grécia, na Antiguidade, tinha o costume de valorizar o trabalho intelectual em detrimento do braçal, que exige esforço físico. Na época, esse hábito derivava do fato de que nessa sociedade, em Atenas principalmente, quem era responsável por tarefas braçais eram escravos, e os cidadãos atenienses, diante do ócio pela ausência de tais afazeres, se punham a questionar. Em consequência disso, além de outros fatores sociohistóricos, a Grécia se tornou o berço da filosofia ocidental e de grandes pensadores. Em contrapartida, no século XXI, os indivíduos executam dos dois tipos de trabalho, e por conta de não haver muito tempo livre, somado a constante expansão da internet, torna as pessoas mais suscetíveis a serem passivas ao receberem uma informação, pelo modo como a internet trabalha e seus efeitos na população.
Primeiramente, é preciso analisar o porquê de ser necessário o ócio para analisar uma informação apropriadamente. Nessa perspectiva, Byung-Chun Han, sociólogo coreano, afirma em sua obra “Sociedade do cansaço” que, na sociedade atual, o que está sendo priorizado é a produtividade, de maneira que quanto mais produtiva uma pessoa for, quanto mais criar conteúdos, aprender, executar, mais bem sucedida ela é. Contudo, nisso é perceptível a valorização na quantidade, de maneira que estar sem produzir é malefíco. Ou seja, na atual conjuntura, o tempo livre não é valorizado. Isso é bastante prejudicial, já que, como observado anteriormente em relação a Grécia, é o ócio que possibilita o conectar de ideias e crescimento lógico.
Além disso, a maneira como a internet possibilita a informação propicia a massificação de um mesmo conteúdo, que pode fazer com que a pessoa se convença de haver somente um lado da história, quando há na verdade vários. Nesse plano de análise, a rede é uma fonte ampla de conhecimentos, estes que são direcionados por algoritmos - ferramentas que possibilitam e ordenam o fluxo de informações - conforme é navegado pelo usuário. Desse modo, se o indivíduo consome determinado tipo de informação, é difícil o sistema oferecer a essa pessoa opiniões e informações contrárias as habituais, já que quer manter a pessoa na rede. Então, o usuário fica limitado a só uma forma de pensar, o que restringe seu campo de visão e permite a massificação de vários conteúdos.
Portanto, considerando a internet, sua disponibilidade de informações e a “Sociedade do cansaço”, medidas devem ser tomadas para que não seja restringida a capacidade de lógica e análise. Dessa maneira, é papel do Estado, em parceria com secretarias municipais, divulgar por meio de campanhas a importância do pensar, do descanso e procura de novas ideias, com a finalidade de conscientizar a população. Somente assim será possível a devida reflexão da informação na rede.