A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 23/03/2021

Consoante a visão do filósofo Aristóteles, a ciência política se sobressai com relação as outras, estando ela para o exercício do bem coletivo. Entretanto, esse pensamento não condiz com a realidade brasileira, haja vista que apesar da internet ter facilitado a informação, ela fez com que a capacidade de reflexão da população se restringisse. Nesse contexto, deve-se analisar não só um ponto positivo, mas também um ponto negativo que essa simplificação tecnológica traz.

Em primeiro lugar, é cabível ressaltar que, na hodiernidade, vive-se em um mundo altamente globalizado, no qual é posssível encurtar distâncias, estreitar as relações, políticas, econômicas e sociais. Sob esse viés, é válido destacar que antes o que era encontrado apenas em livros, revistas ou jornais, hoje pode-se encontrar mais rapidamente e com mais facilidade com uma simples busca na internet. Com isso, é de tamanha notoriedade a gama de informações presentes nesse meio virtual, e como elas se expandem rapidamente, além das várias ferramentas presentes na internet, como sites de compras de comidas, de calçados, e, também, sites de comunicação e pesquisas. No entanto, como a população está exposta, constantemente, a vários conhecimentos existentes dos assuntos, é imprescíndivel saber filtrar o que é verdadeiro, e não deixar que a opinão de um se torne algo “universal”, fato esse que é bastante presente na nação brasileira.

Soma-se a isso, um ponto negativo que a facilidade de conseguir informação impõe. É indispensável salientar que a capacidade de reflexão das pessoas dimuni, a partir do momento em que ela está habituada a pesquisar sobre determinado assunto e usar exatamente aquilo que foi encontrado, sem nem ao menos tentar entender o porquê essa informação encontra-se presente e se ela concorda com o que foi abordado pelo autor. Interpretando o livro “Os meios de comunicação como extensão do homem”, escrito pelo sociólogo canadense Hebert Marshall McLuhan, é possível notar que os meios cegam o homem, não permitindo com que ele tire as próprias conclusões, fazendo com que as ações humanas sejam controladas e configuradas pela tecnologia. Dessa forma, é sábio patentear que o senso crítico da sociedade está sendo substituído pela forma de pensar da maioria.

Logo, entende-se que o problema urge por medidas interventivas, dado que a restrição da capacidade de reflexão afeta o modo de viver do indivíduo. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve valorizar o âmbito estudantil, como forma de instruir os alunos a respeito do quão importante é ter a própria opinião sobre determinado assunto, por meio de materiais e eventos elucidativos, no qual abordem diferentes reflexões, visando fortalecer o senso crítico deles. Assim, é possível encontrar uma sociedade que esteja para o exercício do bem coletivo, como pautava Aristóteles.