A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 23/03/2021

Com a Revolução Digital, considerada a Terceira Revolução Industrial, houve o aperfeiçoamento dos aparatos tecnológicos, propiciando uma gama de informações de forma rápida e fácil. Todavia, tal facilidade de conhecimento posta em uma sociedade tão acrítica, fomentou a restrição da capacidade reflexiva dos indivíduos. Esse contexto tornou-se eminente, ora pela alienação, ora pela falta de filtro nas notícias recebidas.

Em verdade, a ausência de consciência do perigo da internet, induz as pessoas à absorverem tudo que lhe são impostos, muitas vezes, sem que haja o benefício da dúvida. Sob esse viés, surge a alienação, estado que designa quando os indivíduos estão alheios a si próprios ou a outrem, posicionando-os como “escravos” das instituições, sendo nesse caso o espaço virtual. Nesse hiato, os que estão mais suscetíveis a serem enganados e acreditarem indubitavelmente no que acessam são as crianças e os adolescentes, por estarem em processo de amadurecimento, ou seja, consolidando o senso crítico. Dessa maneira, formam-se adultos sem opinião própria, que necessitam, constantemente, das informações fornecidas pela internet para alicerçar suas ideias. Assim, é urgente que sejam tomadas medidas educativas quanto ao uso da web desde de cedo, já que o acesso a esse aparato começa, ainda, na infância.

Outrossim, o fato das notícias falsas e verdadeiras estarem unidas no mesmo ambiente virtual corrobora a problemática. Nessa perspectiva, quando o filósofo grego da antiguidade, Aristóteles, afirma que o homem tem, por natureza, o desejo de conhecer, ele postula algo que é inerente ao ser humano, estando, essencialmente, presente na web, visto que as pessoas, movidas pela curiosidade, acessam muitas informações, sem que, na sua maioria, haja uma preocupação com a  fonte e a veracidade delas. Consequentemente, os indivíduos consomem e reproduzem ambiguidades que, diretamente, irão afetar a reflexão deles e dos que os circudam.

Destarte, com intuito de mitigar os problemas supracitados, é mister que o Governo, na figura do Ministério da Educação, implemente projetos, das séries primárias até o ensino médio, que visem informar a maneira correta de usar a internet,  bem como os seus perigos, por meio de rodas de conversas e palestras, mensais, que unam os responsáveis e os alunos no diálogo. Além disso, é importante haver o estímulo do senso crítico nos jovens, com o fito de atenuar a alienação sofrida devido à web, ampliando suas capacidades reflexivas. Ademais, é imprescindível que o Estado amplie o policiamento na internet, através de selos de confirmação de notícias falsas, a fim de minimizar a influência de inverdades na formação das ideias individuais.