A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 23/03/2021
“Um ser humano deve transformar informação em inteligência ou em conhecimento”. A citação de Grace Hopper faz uma importante crítica à internet, uma vez que, embora esta facilite o acesso à informação, ela também restringe a capacidade de reflexão de diversos usurários. Nesse âmbito, faz-se necessária uma análise acerca das atribuições das famílias quanto ao uso indiscriminado da internet por crianças e adolescentes, bem como do papel das escolas.
Decerto, é válido salientar o comportamento adotado por inúmeras famílias como um fator determinante para o uso desordenado das tecnologias digitais na infância. A filósofa e pedagoga Tania Zagury, em seu livro “limites sem traumas”, fez uma considerável reprimenda às famílias brasileiras, afirmando que, atualmente, há um certo medo de impor limites ao público infantojuvenil, deixando-os sozinhos durante muito tempo, fazendo com que esses adquiriram um excesso de autonomia. Nessa perspectiva, esses jovens ficam completamente vulneráveis a um excesso de conteúdos - muitas vezes inadequados e inapropriados -, que podem causar prejuízos aos seus desenvolvimentos cognitivos e sociais.
Ademais, é importante destacar a má formação socioeducacional de parcela da população quanto à internet. Diante do advento da Era Tecnológica, nota-se uma educação escolar incompleta e que não prepara os alunos para um mundo imerso em computadores e inteligência artificial. Nesse ínterim, a carência de disciplinas que abordem os perigos advindos do uso indiscriminado da tecnologia na infância e na adolescência, faz com que esses jovens cresçam sem saber discernir corretamente quais informações podem ser publicadas e quais conteúdos devem ser absorvidos e quais precisam ser ignorados. Assim, forma-se uma geração que tem sua capacidade de reflexão afetada.
Depreende-se, portanto, que o uso indiscriminado de canais digitais gera sérios problemas. Nesse sentido, cabe às instituições de ensino, em parceria com as famílias, principais responsáveis pela formação do jovem enquanto ser ético e moral, realizar debates interativos acerca do excesso de informações presentes nas internet, esse projeto deve ser executado semanalmente com os alunos do ensino fundando e médio, por meio de eventos de conscientização realizados na própria instituição, com o intuito de conscientizar os pais sobre a importância de assumir um maior monitoramento, assim como ensinar aos alunos a reconhecer conteúdos que devem ser consumidos e que devem ser desprezados, a fim de formar cidadãos com uma maior capacidade de reflexão diante de uma superabundância de informações.