A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 23/03/2021
O documentário “O dilema das redes”, apresentado por antigos funcionários de grandes empresas tecnológicas, retrata a forma que tais organições agem com as informações retiradas de seus usuários, bem como as influências à monotonia de pensamento. Essa situação demonstra o quanto a capacidade de reflexão das pessoas na internet é reduzida gradativamente, mesmo com o aval de informações úteis por ela facilitado. Assim, cabe analisar, tanto as causas dessa problemática, quanto as consequências para a sociedade.
De fato, o banco de dados e de informações na internet são infinitos, o que tende a dificultar aos indivíduos o consumo de conteúdos de qualidade. Nesse viés, muitas organizações, com o intuito de vender seus produtos ou de vender informações, limitam, de acordo com as preferências das pessoas, obtida pela coleta de dados, aos usuários o que lhes é de interesse, por exemplo o “Big Data”. Entretanto, essa forma sistemática torna as pessoas cada vez mais alienadas e com menor uso da reflexão, isso ocorre, atualmente, com jovens nas redes sociais, movidos pelas influências infindáveis. Esse controle de informações e disponibilização do que beneficia pessoas ou organizações, foi retratado no livro distópico “1984” de George Orwell.
Ademais, a grande exposição a multipolaridade que as redes digitais fornecem, requer um grau de maturidade intelectual avançado, pois, tomando como base a definição do escritor Sul-coreano Byung-Chul Han a pessoa tornar-se-á o escravo e senhor ao mesmo tempo, visto que ele tem o controle das decisões e do objeto, mas deixa-se influenciar. Nesse contexto, adentra-se outra problemática, pois a partir da submissão à neutralidade de reflexão, influênciada internet, há também a necessidade crescente de fazer parte da cultura de massa nas atitudes, como retrada no episório “Queda Livre” da série Black Mirror.
Portanto, nota-se que a internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão das pessoas. Para isso, é que fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente os Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, inovações e comunicações, crie um Plano Nacional de Incentivo à Autoreflexão, pois a necessidade de criticidade nos meios de convivência física e digital é imensa. Tal ação deve ocorrer por meio da criação de diretrizes, por exemplo, dinâmicas que reforcem a necessidade da crítica e de uma opinião contundente, a fim de que a população se torne cada mais seletiva às diversas fontes de informações.