A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 23/03/2021
O pensador Grego Platão, no ensaio filosófico “Alegoria da Caverna”, simboliza a alienação da sociedade que, assim como os indivíduos que enxergavam as sombras projetadas de uma realidade como verdade, encontra-se paralisada e absorta frente a problemas coletivos. Esse trágico pressuposto, hodiernamente, pode ser facilmente interligado ao uso excessivo da internet, uma vez que é reflexo da conduta passiva do corpo social diante dos fatores que cristalizam esse infortúnio. Dessa forma, seja pela deturpada construção histórica, seja pela leniência estatal, esse imbróglio desafiador é vigente. Urge, assim, a necessidade de analisar e de buscar ações para superar essa celeuma.
Nesse ínterim, a omissão social é fator determinante para manutenção dessa conjuntura. Sob essa égide, é fundamental destacar a ausência parental, somada às relações de poder, como fator catalisador dessa questão. Em consequência disso, o determinismo geográfico- meio na qual o indivíduo está inserido, determina seu papel social e comportamental- é incorporado e a sociedade entra em um círculo vicioso. Ilustra bem isso a obra “O Cortiço”, do naturalista Aluísio Azevedo, que lança luz a personagens com comportamentos institucionalizados pelo meio. Logo, a sedimentação social é reflexo da desordem estrutural.
Ademais, é fulcral pontuar a inoperância do poder público em cumprir seu papel de promotor do bem-estar social. Sob esse prisma, o pensador contratualista John Locke, em seu “Contrato Social”, afirma que o Estado deve promover meios para garantir a harmonia entre o meio coletivo. No entanto, a escassez de políticas públicas e a falta de um ensino destinado ao uso da internet de forma correta e capaz de formar um senso crítico reflexivo fazem com que esse paradigma mantenha-se vigente. Por conseguinte, há a transgressão da Constituição Federal de 1988, uma vez que o 205 apresenta como fundamento a educação, direito de todos e dever do Estado e da família. Então, enquanto a negligência estatal for realidade, o Estado Democrático de Direito será utópico.
Portanto, faz-se necessário lançar medidas para mitigar tal mazela. Dessarte, é dever do Poder Executivo, sobretudo na voz das prefeituras, promover uma ampliação concreta do setor educacional, por meio de investimentos financeiros- os quais serão revestidos na especialização e na capacitação de profissionais da área e em melhorias na infraestrutura-, com vistas à consolidação de um meio permeado pela coexistência harmônica e eficaz entre legisladores e civis, na qual os direitos constitucionais serão garantidos e respeitados. Além disso, as escolas em parceria com a família, deve propor palestras e debates acerca dos impactos do uso sobejo da tecnologia, com o fito de transpor tal panorama. Desse modo, a teia civil saíra da “caverna” e o uso excessivo da internet será superado.