A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 05/04/2021
Na era moderna, com o avanço da área tecno-científica e o consequente desenvolvimento de tecnologias para melhorar a integração humana, há um aumento exponencial da disseminação de informações para a população. Em contrapartida, esse panorama de progresso não se instalou isento de desafios, tendo em vista que esse ampliamento no conhecimento distanciou os indivíduos de suas capacidades críticas e reflexivas. Dessa forma, é imprescindível explicitar as principais demonstrações dessa crise: a tendência de julgamento digital insultuoso e o compartilhamento de notícias falsas.
Diante desse cenário, é lícito postular que o posicionamento não-empático dos usuários das redes sociais evidencia a restrição que a reflexão sofre no contexto tecnológico. Nesse sentido, cabe inserir que o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que os pilares da liquidez que acomete a sociedade globalizada atual é sustentada por dois pilares: a individualidade e a falta de empatia. Paralelamente, percebe-se que, como defendido pela teoria sociológica, os novos meios de comunicação impulsionam um déficit de sensibilidade que impede os falantes online de ponderar sobre os efeitos que suas declarações podem causar. Destarte, atos como julgamentos e cancelamentos, por exemplo, mostram a carência de ponderamento acerca das consequências, o que mostra que, apesar dos avanços fornecidos, esses novos aparatos danam as relações humanas.
Além disso, cabe frisar que, além de danificações nos relacionamentos, a divulgação das popularizadas “fake news” comprova a escassez de um olhar crítico que ataca os cidadãos no espaço virtual. Sob tal ótica, pode-se pautar a dinâmica eleitoral em 1930, que foi afetada pelo fenômeno supracitado. Na mesma, a propagação da ideia de que o partido opositor do ex-presidente Vargas teria elaborado a morte de seu vice-presidente comprometeu o apoio popular ao outro candidato, ainda que essa teoria não tivesse comprovações. De maneira análoga, ainda que, na contemporaneidade, os boato irreais sejam transmitidos através de mecanismos virtuais, a danificação do senso comum continua a acometer a sociedade, uma vez que o povo perpetua cedendo à notícias sem embazamento, sem meditar sobre elas. Então, percebe-se que, ao compartilhar essas informações, as pessoas demonstram o estrago meditativo que essa esfera online causou.
Depreende-se, portanto, a urgência de medidas para resolução da problemática. É mister que o Setor Privado de tecnologias digitais, por meio de um acordo entre as empresas detentoras dessas redes, comprometa-se em limitar os conteúdos compartilhados em tais ambientes, de modo a fiscalizar a veracidade os mesmos, bem como a verificar se são ofensivos ou violentos. Assim, prever-se-á que os resultados da frieza gerada pela internet serão atenuados.