A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 14/04/2021

O documentário “O Dilema das Redes Sociais” da plataforma de streaming Netflix, mostra como os algoritmos são pré programados para fazer com que o usuário seja inserido numa bolha de interesses próprios, com maior acesso, assim, a opiniōes e assuntos congruentes a seus pensamentos, sem exposição a divergências. Isso tenta ser justificado pelo maior conforto nesse ambiente controlado, já que dessa forma a pessoa utilizará a rede por mais tempo. Paralelamente, entretanto, esse comportamento entre o virtual e o indivíduo se mostra prejudicial, já que apesar da acessibilidade contínua, a capacidade de absorção de conhecimento fica cada vez mais defasada.

Em primeiro plano, já é de senso comum o entendimento de como a internet facilitou e revolucionou a comunicação humana, trazendo diversas vantagens, que, entretanto, também possuem uma face negativa. Na frase “Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado” o autor inglês George Orwell sintetiza de maneira exímia o controle de massas, que nessa ótica está relacionado ao papel da divulgação de informação . Recentemente, com a popularização das redes, houve um movimento das “fake news”, que se trata da propagação de informaçōes falsas em escala pelos usuários das mídias. Tal movimento, trouxe a tona um questionamento que já é cotidiano, se vivemos na era da informação,  até que ponto vai a qualidade dessa informação.

Ademais, faz-se importante refletir sobre a forma como tais dados são absorvidos pelo público, visto que boa parte do conteúdo consumido não é digerido, gerando a obesidade mental contemporânea. De acordo com o filósofo Sócrates, a consciência é despertada através do questionamento lógico do meio, que estimulam a razão. Por conseguinte, a atrofiação da reflexão por parte dos indivíduos que se introduzem no meio virtual é prejudicial a sociedade como um todo, pois  informação é recebida superficialmente, ficando impotente e impossibilitada de gerar mudanças significativas na vida humana.

Logo, urge que o Ministério da Educação juntamente ao MCTI trabalhem em prol da resolução da problemática, criando campanhas educacionais com o objetivo de orientar e conscientizar os jovens desde cedo sobre as consequências que a internet pode gerar, se usada de maneira incorreta. Além disso, o papel das famílias é fundamental, muitas crianças e adolescentes são influenciados pelo meio, e seus responsáveis dão exemplos de conduta, portanto, estimular que a criança não dependa do mundo virtual é essencial para que não se torne um vício, já na primeira infância. Somente assim, teremos a possibilidade de estourar a bolha evidenciada no documentário, e finalmente despertar a reflexão sobre aquilo que é consumido.